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Coletânea dos Reinos
 
Uthmere, Parte Um

Por Ed Greenwood
Tradução por Ricardo Costa; revisado por Daniel Bartolomei Vieira.


Tudo Que Todos Precisam

Visitantes de longe que velejam para este pequeno e isolado porto da Orla Ocidental o chamam de maneira variada: “pequeno, simples e cheio de cabeças ocas conformados”[1] e “uma lâmpada brilhante de uma sofisticação futura, no limite dos ventos uivantes”[2].

“A vida por lá é mais como a pastagem de vacas”, disse a dançarina viajante Raeraera de Velprintalar, “mas ao menos eles têm paredes de pedra, telhados que não vazam e ruas que não são fossas lamacentas”[3].

Marinheiros de Impiltur vêem Uthmere como um lugar amistoso, distante e conveniente para abastecer-se de provisões e realizar reparos, e os mercadores de Thesk como um porto “seguro” para comerciar com um lamentavelmente pequeno número de pessoas que entendem suas maneiras e preços.

O restante do Grande Vale tende a considerar Uthmere como um lugar hostil de povo ávido e ganancioso (“ajuntadores de moedas”) que querem engolir todo o Vale como se fosse seus quintais e fazendas, ignorando seus proprietários de direito e lugares povoados como se estes não existissem. Esta crença vem sendo fomentada e encorajada pelo druídico Círculo de Leth.

Membros ou aliados mais próximos do Círculo vão além. Eles odeiam tudo que aquele porto cercado por paredes de pedras significa e o querem varrido do mapa ou reduzido ao que ele já foi: um amontoado de cabanas de pescadores e um cais com um depósito solitário, para comerciar com os navios estrangeiros. Eles vêem seus senhores como seres que desejam construir um grande reino pela opressão, espoliação e pela edificação de construções em todo o Grande Vale, avançando cada vez mais rápido à medida que o tempo passa.

Ainda assim, todos os outros Valeanos[4] também, vêem o “Porto Uth” como um centro de suprimentos adequado, e dizem que o “povo uth” tem “tudo que todos precisam” em matéria de ferramentas de qualidade, lanternas, correntes, trancas e dobradiças, tecidos e vestimentas, boas botas, barris e barriletes que não vazam, cordas e até arames e por aí vai.

Os Uthmaares[5] vêem a si mesmo como sendo um povo que tem todos os benefícios de lugares maiores (prosperidade, sofisticação, tolerância religiosa, leis e segurança pública, sem que haja uma opressão diária, ao menos lampejos das últimas novidades e modas, acesso a todos os suprimentos necessários e aos luxos que alguém pode querer – se uma loja uth não tiver o que procura, um comerciante irá visitá-lo com o que quer na próxima estação, ou um comerciante uth irá conseguir para você), sem os problemas que prevalecem nas cidades grandes: casebres, crime desenfreado e muitos “roupas esfarrapadas”[6], preços altos e escassez, e algum tipo de sistema de classes com nobres decadentes e opressivos.

Aqueles que advertem que infortúnios parecem recair sobre pessoas do povo que “tornaram-se muito esnobes” (que querem falar contra Lorde Uthlain ou pedir “direitos” especiais por causa de sua riqueza e poder) meramente ficam indiferentes: não querem dividir suas vidas com os nobres.

Uthmere é esmagadoramente ocupada por humanos. Apesar de alguns gnomos e halflings terem se fixado em Uthmere (mas não mais que uma dúzia de anões, elfos e meio-elfos), raças “selvagens” (mais exóticas) ou não são avistadas ou não são bem vindas. As tavernas das docas, estalagens, casas de alojamentos[7], e bordéis toleram uma ampla clientela na forma de marinheiros visitantes – mais um meio-orc marujo será observado de perto o tempo todo, com os Porretes[8] se aproximando ao menor chamado. Qualquer marinheiro não humano que tentar “ficar para trás” (deixar a tripulação e se estabelecer em Uthmere) será “chamado” pelos Porretes e firmemente ordenado a deixar a cidade.

O racismo local não descamba para histórias malucas sobre “estranhas criaturas” com estranhos hábitos (comer bebês ou sempre tentar roubar, estuprar ou assassinar) ou em cidadãos jogando pedras e insultando qualquer “não humano” que vêem; é mais uma questão de “eles estão bem em seus lugares de origem, mas o lugar deles não é aqui”.

Esta atitude não se estende a criaturas cuja aparência possa passar pela de um humano, porque o povo Uth consiste de uma ampla variedade de humanos, e muitos ostentam cicatrizes, tatuagens, marcas de escravidão e outras de suas antigas vidas, como algumas escamas, um dedo extra, ou algo que não tipifique alguém como “não humano”.

Alguns humanos que se estabeleceram em Uthmere vindo de outros lugares a vêem como um monótono e afastado lugar ou um pequeno refúgio como poucos no vasto mundo (ou as duas coisas), mas os Uthmaares nativos vêem sua cidade como próspera, forte e em ascensão para galgar feitos maiores – e tudo isto feito com sensibilidade, limpeza e decência, sem o conflito e a bagunça de alguns outros lugares. O mundo em volta é às vezes selvagem, um lugar perigoso e freqüentemente em desordem – e Uthmere é tudo menos isto (para os cidadãos que se submetem às leis e se preservam de estupidamente criticar Lorde Uthlain, seus lordelainos e os Porretes).

Notas de Rodapé

1. Lady Baelma Murove, esposa de Moroves de Urmlaspyr, próspero dono de uma frota naval, escreveu isto em 1371 CV, no seu livreto Desbravando o Frio: Viagens entre as Estrelas Cadentes Com Meu Marido. Lady Baelma, alta, esguia e de longos cabelos é a notória “beleza negra” de Sembia, que desde a morte de seu marido tem sido uma herdeira muito cobiçada. Ela guarda a si mesma com seis gárgulas (de origem desconhecida), que são seus guardiões pessoais e mantém alguns misteriosos itens mágicos.

2. Estas palavras aparecem no livreto Brilho do Ouro/Um Prospecto para Comerciantes de Ambição, escrito pelo rico comerciante Horth Blasko de Yhaunn (1369 CV). O livreto pinta imagens brilhantes sobre oportunidades e possibilidades que podem trazer lucros àqueles que as seguirem. Blasko é um homem gordo e jovial que não vai a nenhum lugar sem aventureiros contratados como guarda-costas, e diz que tem feito tantos inimigos que precisa desesperadamente de tal proteção.

3. Estes comentários foram retirados do número trinta e seis da série de folhetos (amplamente vendidos na costa do Mar Interno) intitulada Beijos de Raeraera. Raeraera de Velprintalar viaja incansavelmente através dos portos do Mar Interno com uma pequena trupe de dançarinos, apresentando-se em clubes e estalagens, ao invés de tavernas rudes. O divertimento é explícito, e as Damas de Raeraera fornecem divertimentos mais pessoais, por altas taxas, depois de cada apresentação pública. Raeraera é pessoalmente notória pelos seus espetaculares encantos pessoais e seu entorpecente “perfume do êxtase” (que ela diz fornecer um prazer supremo). Ela vende poções do amor e do sono, de vigor do urso e de resistência a elementos, e venenos.

4. "Valeano" é um termo que significa “povo do Grande Vale”, que vem se tornando crescentemente popular e difundido no uso diário a leste da Orla do Dragão.

5. "Uthmaar" é o termo formal para “cidadãos de Uthmere". No uso diário, as pessoas que habitam Uthmere são chamadas simplesmente como "uths" ou (por estrangeiros) "povo uth". O termo formal é usado com precisão pelos “lordelainos” ("servos dos lordes”, ou oficiais da cidade) para designar os cidadãos, excluindo os estrangeiros que habitam Uthmere sob falsos pretextos (por exemplo, sem a declaração que vieram de Telflamm ou de algum outro lugar como um agente dos Mestres das Sombras, e/ou que possuem habilidades, uma profissão e um nome que diferente do que usam em Uthmere) ou não estejam na “Tábua dos Lordes” (os livros do censo) e que por esta razão não estejam pagando taxas. Se um lordelaino quer incluir tais “forasteiros” quando quer falar ou escrever, o termo “povo de Uthmere" é usado ao invés de "Uthmaares".

6. O termo “casacos esfarrapados” significa meramente “pessoas sem lar”, mas todos os mendigos são automaticamente casacos esfarrapados (o significado original do termo era “mendigo ou pessoa habitualmente bêbada nas ruas”). Ele se refere a todos os indesejáveis, e também é uma maneira polida de se referir àquele visivelmente embriagado e, por esta razão, de “língua solta”, o que uma pessoa de Uth poderia chamar de “estranhas criaturas”. Pessoas nascidas e criadas como Uthmaares tendem a desconfiar dos não humanos, exceto dos halflings, gnomos e meio-elfos. Eles são perfeitamente polidos com os elfos e anões (talvez tais povos sejam “olhados com mais cuidado”, ou vigiados), mas eles serão breves, ou mesmo temerosos, em relação das raças que virem como “mais exóticas”.

7. "Casas de alojamento" é o termo local para pensões. Muitos proprietários de imóveis em Uthmere alugam um ou mais pisos para alojamentos, mas o termo casa de alojamento é aplicado somente para edifícios de três ou quatro pavimentos inteiramente dedicados para oferecer quartos alugados por mês (ou um período de três, quatro, seis ou doze meses. Como as casas de alojamento servem aos marinheiros (e mercadores de caravanas e mascates, que aceitam hospedagem em qualquer lugar), elas tendem a se agruparem em volta das docas. Muitas delas oferecem guardas e armazenamento seguro para valores.

8. Os Porretes é o nome cotidiano (um termo até mesmo usado pelos lordelainos e os próprios agentes da lei; não é considerado um insulto) para a força policial do Lorde Uthlain, as Armas Vigilantes da Justiça do Lorde. Os Porretes, que patrulham as ruas, são uma visão freqüente em Uthmere e serão detalhados em uma coluna posterior. Eles são às vezes chamados de “a guarda urbana” pelas donas-de-casa, escribas estrangeiros e outras pessoas cuidadosas e por “Guarda da Cidade” pelos lordelainos.

A próxima coluna apresentará o povo de Uthmere e explorará seus edifícios, vestimentas e hábitos.



Sobre o Autor

Ed Greenwood é o homem que lançou os Reinos Esquecidos em um mundo que não os esperava. Ele trabalha em bibliotecas, escreve fantasia, ficção científica, terror, mistério e até estórias de romance (às vezes coloca tudo isto em um mesmo livro), mas está ainda mais feliz escrevendo Conhecimento dos Reinos, Conhecimento dos Reinos e mais Conhecimento dos Reinos. Ainda existem alguns quartos em sua casa com espaço para empilhar seus escritos.

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