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Coletânea dos Reinos
 
O Navio Perdido, Parte Um

Por Ed Greenwood
Tradução por Ricardo Costa.


As brumas azuis passam mais uma vez, deixando o rei e a rainha juntos em uma névoa cinzenta, fria e pegajosa.

"Eu começo a gostar disto menos e menos”, Filfaeril anunciou firmemente. “Você não pode fazer o invento de Vangey funcionar e nos levar direto de volta para casa?”

“Um momento, minha querida”, o Dragão de Cormyr replicou, avançando poucos passos, cruzando as tábuas sob seus pés. Uma corrente de névoa o engoliu, e sua rainha teve que correr para que ele não desaparecesse inteiramente de suas vistas.

Ela o encontrou parado de frente a uma sólida e baixa amurada de madeira, de um formato estranhamente estriado e ornamentado. Uma amurada de navio. Azoun estava observando além da borda do navio, agachando-se para se equilibrar do balanço – apesar do navio parecer estar firme abaixo dele – e inclinando-se suavemente.

“Onde nós estamos?" , a Rainha Dragão perguntou, tocando seu ombro contra o dele, em um sinal silencioso de que queria que seu marido pusesse um braço confortante ao seu redor. Ele atendeu. “É um navio, como é óbvio, mas não sinto o mar sob nós, não ouço ondas – não sinto o cheiro das ondas!”

“Ficaria surpreso se você conseguisse isto, Fee”, retrucou o marido, apontando para um intervalo súbito entre a névoa, que abriu a visão para as copas de algumas árvores, “visto que estamos velejando no ar.”


Todo mundo nas Terras Centrais dos Reinos, e qualquer um que, de vez em quando, visite uma taverna em qualquer lugar em Faerûn também, deve ter ouvido falar do “Navio Perdido”.

As histórias contadas ao seu respeito são muitas, coloridas e contraditórias, mas todas concordam que, por anos, ele vem velejando os céus dos Reinos, voando mais perto ou mais além, baixo e silencioso ainda que nunca pareça correr sobre as árvores, as torres de fortalezas altas ou escarpas de montanhas.

Alguns dizem que ele é uma armadilha para arcanos, um engodo em que os magos espectros de Netheril, que o assombram, drenam as vidas, possuem os corpos ou roubam os encantos de quaisquer magos tolos o suficiente para se aventurarem a bordo. Outros dizem que o navio é assombrado por mortos-vivos insanos e desesperados que infinitamente fogem de algo ainda mais terrível que os perseguem pelos céus. Outros ainda acreditam que é um uma creche disfarçada para ovos de dragão, protegidos com encantos que enlaçam e aprisionam aventureiros para alimentar as jovens crias. Ou pode ser o lar abandonado de um deus, ou algum monstro sensitivo que se mascara como um navio, ou um templo mágico roubado de seu lugar de origem por ladrões que agora estão amaldiçoados e a deriva nos céus. Alguns dizem que piratas vivem a bordo, descendo, atacando e pilhando, somente fazendo isto novamente semanas ou meses depois. Existem quase tantas histórias quanto seus contadores, cada uma delas extravagantes e estranhas, mas ainda assim... fascinantes.
Elminster, é claro, sabe ainda mais sobre isto, apesar de mesmo ele não saber o porquê do navio voar infinitamente e nem por que propósito.

"O Navio Perdido" não ostenta nenhum nome em seu casco ou proa além de rabiscos recentes e borrados (“Bruxa dos Céus”, “Vingança de Laeroth”, e “Rainha Severa” são pelo menos três deles). Este navio celeste (como descritos no artigo "Sailors on the Sea of Air" (NT: “Marinheiros no Mar do Ar”) na edição #124 da Dragon Magazine), é possivelmente de construção halruaana, e vem velejando por séculos.

Em sua aparência, o navio voador é de um cinza espectral, escurecendo até chegar a um marrom profundo (onde a parte do casco de madeira está exposta), com sua parte superior amplamente coberta em uma camada contínua de um metal (desconhecido, mas inerte, não ferruginoso e aparentemente inútil) leve como sabão, que pode ser retirado mas que prontamente derrete no ar, e não possui resistência. Suas amarras (cordas) parecem ser de cânhamo normal, mas combinam com a cor cinzenta – assim como suas velas, que estão grandemente em farrapos. Seu cordame é, ou parece ter sido um dia, o de uma embarcação que no mundo real é conhecida por “bergantim”: dois mastros, com quatro velas quadrangulares em seu mastro dianteiro, três jibs (velas triangulares) entre o mastro dianteiro e o arco da espicha da vela, e outras duas jibs entre o mastro dianteiro e o da vela mezena, e nesta mezena, um gancho grande está suspenso em duas velas quadradas de topo. Flâmulas de tecido e cordas soltas esvoaçam e balançam por toda a parte, sem responder ao “vento” da passagem do navio ou das brisas que predominam sobre ele, e a natureza arruinada de seus cabos não parecem ter efeito na maneira com a que o navio veleja.

O Navio Perdido possui casco baixo e delgado, com um convés externo, com quatro degraus de altura, na proa e um na popa com sete. Cabinas com janelas, beliches, mesas para mapas, e cadeiras estão abaixo de ambos os convés elevados, e escotilhas nos pisos das cabinas e no convés adjacente às cabinas levam para baixo, a uma longa e baixa cela que ao longo do tempo acumulou uma coleção de passageiros assassinados e seus pertences embolorados (que, se apanhados, se mostrarão sem valor). Como Elminster, disse de modo atravessado, a principal carga que a embarcação fantasmagórica carrega parece ser todas as histórias fantásticas que o povo conta sobre ela.

Sob a cela existe um porão cheio de uma antiga, mal-cheirosa e negra água, maculada com uma maldição mágica muitas vezes invocada. Qualquer um que for tolo o suficiente para beber mais do que algumas gotas (o suficiente para encher uma garrafa de poção ou frasco) se transformará em um dilacerador cinzento. A mudança física leva 4+1d4 horas; depois que a forma é totalmente assumida, trate a vítima como se tivesse recebido os efeitos de mudar forma (ver página 314 do Livro dos Monstros, e mais a sua mais recente errata) que dura por 1d8 dias. Seres que tenham experimentado meras gotas imediatamente sentem-se rígidos e entorpecidos, levando uma penalidade de -1 na Destreza. Adicionalmente, a pele da vítima toma uma leve tonalidade de cinza, mas esta condição passa em 4+1d4 horas.

Existe obviamente muito mais para aprender sobre o Navio Perdido, e nosso próximo artigo explorará o que mais se sabe sobre ele. Afortunados sejam Azoun and Filfaeril.



Sobre o Autor

Ed Greenwood é o homem que lançou os Reinos Esquecidos em um mundo que não os esperava. Ele trabalha em bibliotecas, escreve fantasia, ficção científica, terror, mistério e até estórias de romance (às vezes coloca tudo isto em um mesmo livro), mas está ainda mais feliz escrevendo Conhecimento dos Reinos, Conhecimento dos Reinos e mais Conhecimento dos Reinos. Ainda existem alguns quartos em sua casa com espaço para empilhar seus escritos.

Os Últimos Dias de Glória © Todos os direitos reservados 2004 - Forgotten Realms™ e seus personagens são marcas registradas da Wizards of The Coast Inc.
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