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Livreto de Mintiper
 
Salão das Brumas
Parte Nove
Por Eric L. Boyd
Tradução por Airton Alves Medina; revisado por Ricardo Costa.


Mintiper Lua Prateada é um dos lendários bardos dos Reinos Esquecidos, e contos de suas aventuras têm sido há muito recontados ao redor do fogo da lareira através do Norte em formas musicais, poéticas e narrativas. Transcrito no Reduto dos Sábios em Lua Argêntea pelo Guardião do Reduto, o Livreto de Mintiper é uma compilação das baladas, poemas e contos do Harpista Solitário. Páginas selecionadas deste diário foram anotadas e passadas para as mãos deste cronista e vão ser reveladas aqui em uma coluna periódica.



Salão das Brumas

No final, a luz fraca convenceu Prata Verdadeira que era melhor ele começar sua descida da copa do elevado Vovô Árvore. Cuidadosamente fazendo seu caminho tronco abaixo, ele encontrou a si próprio seguindo uma rota diferente da que ele tinha tomado durante sua subida através de floresta de galhos que servia tanto como degraus quanto impediam seu progresso.

Após mais do que uma hora de silencioso progresso, Prata Verdadeira percebeu que os galhos ao seu redor balançavam com uma freqüência lentamente crescente, como o solo sob as botas de um exército se aproximando. Olhando através de um local defensável, ele avistou um buraco escuro que conduzia profundamente para dentro do tronco da árvore. Uma estranha seiva negra e viscosa, com cheiro de decadência, parecia gotejar das paredes do buraco, quase como se fosse um ferimento antigo que não iria curar. Com mais do que um sinal de medo, Prata Verdadeira entrou na fenda. Quase que instantaneamente o ar tornou-se amargamente frio e uma sensação constante de maldade congelava sua alma. Determinado a proteger seus princípios, ele sacou sua espada e aguardou seja o que fosse que estivesse escalando até ele.

Momentos após, a cabeça, antenas e as pernas dianteiras de uma formiga gigante apareceram dentro da fenda. Reagindo instintivamente, o meio-elfo cortou o pescoço do inseto de tamanho humano com ambas de suas lâminas, separando a cabeça da formiga de seu tórax. Porém, antes que ele pudesse mesmo limpar suas armas, uma segunda formiga gigante impulsionou suas antenas de dentro do buraco na seqüência. Na sujeira resultante de golpes de espada e mordidas de mandíbulas, Prata Verdadeira destruiu aproximadamente uma dúzia de formigas monstruosas antes de seus corpos, ainda se contorcendo completamente, bloqueassem a entrada para o buraco.

A subseqüente tranqüilidade dificilmente durou um instante antes que o meio-elfo percebesse que o resto do formigueiro tinha começado a mastigar seu caminho através dos corpos das formigas caídas. Ele tombou para trás com terror, sua posição não fornecia saída para nada. Ele encontrou a si mesmo mergulhando em uma fenda lateral escorregadia escavada através do centro do antigo Vovô Árvore.

A íngreme queda de Prata Verdadeira chegou a uma abrupta parada em cima de um amontoado de detritos de folhas coberto de fungos. Cegado e sufocado pela espessa nuvem de esporos liberados pelo seu impacto, o meio-elfo levantou-se do solo de terra batida e procurou por suas espadas, que tinham caído de suas mãos durante sua queda. Porém, os progressivos e barulhentos sons de muitos grupos de formigas baixando o poço o estimularam a abandonar sua busca após encontrar apenas uma arma e se retirar para dentro de um dos muitos túneis laterais que conduziam para fora da entrada da caverna. Discrição se mostrou a melhor parte da coragem um momento após, quando a coluna de formigas gigantes fluiu para dentro da câmara e embaixo um do outro, túneis laterais maiores. Para seu horror, Prata Verdadeira avistou os débeis corpos de seus companheiros na coluna, cada um conduzido pelas mandíbulas de um quarteto de formigas.

As horas que se seguiram foram as sementes de pesadelos por muitos anos seguintes. Na esperança de que seus companheiros ainda não estivessem mortos e pudessem ser resgatados ainda, Prata Verdadeira encontrou-se confuso através do escuro labirinto de úmidos, túneis apertados e câmaras feitas de terra preenchidas com pilhas de vegetação apodrecidas, cheias de fungos. Mais e mais vezes, pequenos grupos de formigas guerreiras novamente se materializavam sem aviso para somente desaparecer tão subitamente como apareciam. Naquelas poucas ocasiões, quando suas lâminas cravavam em um dos insetos gigantes, seus ferimentos aparentavam magicamente fecharem-se um momento após.

Finalmente, na beira da exaustão, Prata Verdadeira foi forçado a fugir de uma patrulha particularmente grande de formigas guerreiras, correndo através de um túnel relativamente nivelado e largo. Abruptamente, o túnel terminava em uma pequena sala de pedra trabalhada que servia como o vestíbulo, preenchido de bruma, de um grande salão, que causava a impressão de males antigos. Nenhuma formiga apareceu na frente do meio-elfo, mas o ranger de mandíbulas dos insetos à suas costas sugeria que ele não tinha opção senão andar para frente. Teria sido ele agrupado aqui junto com os outros?

Arrastando-se para dentro do salão apoiado por pilares e preenchido de brumas, Prata Verdadeira se espantou com os lúgubres pictogramas inscritos sobre as muralhas e teto arqueado, e com as runas – pulsando com uma energia armazenada – que adornavam os pilares e o solo. As imagens vislumbradas turvamente descreviam reptilianos bípedes venerando criaturas imensas semelhantes a sapos que emergiam das brumas rodopiantes. Estatuas de ouro e platina retratando similares horrores batráquios espreitavam dos pequenos santuários visíveis nos estreitos corredores que conduziam para fora do salão principal.

Fazendo seu caminho mais profundamente para dentro do santuário profano, Prata Verdadeira encontrou a si próprio parado ante duas passagens idênticas com aproximadamente nove metros de separação, cada uma encantada com poderosas proteções antigas. O meio-elfo escolheu o caminho menos sinistro, seguindo em frente, apesar das poderosas runas que brilhavam com luz ardente em resposta a sua passagem e que envolveu seu corpo com dor forjada pela magia.

O santuário além estava envolto com uma espessa bruma ardente e dominado por uma estátua de pedra serpentina de um saliente demônio com uma boca larga e seis olhos. Entre a estátua e o intrépido meio-elfo estava um fosso preenchido com um liquido espumado, do qual erguia a bruma ácida que permeava todo o complexo. Parado antes de cada uma das duas entradas estava uma estátua de um sáurio bípede esculpido de um único bloco de pedra serpentina maciço. A únicas saídas parecia ser três antigos portais, cada qual entalhado nas mandíbulas amplamente estendidas de uma horrível monstruosidade reptiliana. Antigas oferendas estavam espalhadas através do chão na frente do meio-elfo, intocadas por incontáveis eras. Entre elas, Prata Verdadeira avistou uma repugnante estatueta do tamanho de seu antebraço esculpida de mármore verde na forma de um aglomerado de cobras retorcidas, uma esférica safira negra de aproximadamente trinta centímetros de diâmetro em cujas profundezas dançavam runas sinistras, um cajado de carvalho filigranado com âmbar coberto de manchas de ouro, e um cálice de bronze adornado de jóias esculpido na forma de um lagarto alado repousando.

De todos os tesouros que Prata Verdadeira avistou, no entanto, três folhas de ouro puro escrito com runas antigas mágicas tinham atraído seu olhar. Submetido a esta maravilha, o meio-elfo cautelosamente se curvou para ver se ele tinha encontrado o mais precioso de todos os tesouros. Um instante para o estudo dos selos brilhantes confirmou o que ele tinha dificilmente ousado acreditar, Prata Verdadeira segurou em sua mão três paginas dos lendários Pergaminhos Nether.

O devaneio do meio-elfo terminou um instante após, no momento que os golens guardiões gêmeos vieram à vida, com a pedra fluída de sua construção girando em um profundo turbilhão verde. Procurando pelos arredores por uma saída, Prata Verdadeira arremessou a si próprio através do portal mais próximo, confiando na Senhora da Sorte para que, seja o que for que estivesse além, não pudesse ser pior do que o destino horrível que ele qualquer forma encarava. O resultante cataclismo destruiu o portal, seu turbilhão mágico arremessou Prata Verdadeira em outro lugar sem seu recente tesouro. Novamente o silêncio reinava no Salão de Brumas, mas desta vez estando ausente os Pergaminhos Nether.

Fragmento de uma narrativa épica intitulada "Fantasmas da Árvore "
Atribuída a Mintiper Lua Prateada
Ano da Queda da Lua (1344 CV)

Observações do Guardião

Em todos os tomos antigos encontrados dentro do Reduto dos Sábios, a presença de túneis entre as raízes do Vovô Árvore é insinuada somente uma vez. [1] Em um fino, livro pouco conhecido intitulado Histórias de Fantasma da Grande Floresta, o narrador sem nome reconta uma história que parece datar de volta ao tempo antes da tribo do Urso Azul ter saído do abraço acolhedor do Vovô Árvore.

Se essa história, “A Faixa de Fogo Vermelho”, é para ser acreditada, um fantasmagórico enxame de formigas vermelhas andou através das margens mais ao norte da Floresta Alta há séculos atrás, vorazmente consumindo todo tipo de flora e fauna em seu caminho e aumentando de tamanho e força a cada dia que passava. Apesar da avenida de destruição deixada no despertar do enxame monstruoso, esta dificilmente era uma estrada sem desvios, pela qual através de muitos meses a rígida marcha das formigas moveu-se inexoravelmente para oeste. Quando finalmente a horda de formigas gigantescas alcançou o Vovô Árvore, o antigo gigante florestal foi rapidamente envolvido em um retorcido tapete de formigas monstruosas. Porém, apenas tão rapidamente como o enxame chegou, as formigas monstruosas foram embora, engolidas para dentro das entranhas da grande árvore. A única evidência do destino do enxame era um buraco totalmente aberto no centro do tronco do Vovô Árvore conduzindo para dentro das profundezas imensuráveis. [2]

Eu achei muito curioso que ambos Mintiper, se realmente ele é o autor de Fantasmas da Árvore, e o narrador sem nome de “A Faixa de Fogo Vermelho” fornecem aparentemente descrições independentes em que uma colônia de formigas gigantescas reside entre as raízes do Vovô Árvore. Enquanto alguém possa concluir que esta aparente correlação proporciona um pouco de crédito a ambos os contos, eu sou obrigado a apontar que isso pode também ser interpretado como confirmação de minha própria suspeita, divulgada anteriormente, que as escapadas atribuídas a Prata Verdadeira nesta narrativa épica são na realidade a história de um bárbaro Uthgardt aventureiro sem nome, presumidamente da tribo do Fantasma da Árvore. Se na realidade este for o caso, então a suposta confrontação do protagonista com um enxame de formigas gigantescas podem bem ter sido um exagero baseado em parte na história oral dos Uthgardt. [3]

Seja conforme for, a maioria dos perturbantes aspectos deste fragmento do épico Fantasmas da Árvore é a suposta presença de um templo profano cheio de relíquias antigas [4] nas profundezas da Floresta Alta, aparentemente remontando a incontáveis eras, até a época quando as Raças do Criador governavam Faerûn. Evidências circunstanciais que este santuário datam antes dos Iqua'Tel'Quessir, como as Raças do Criador eram conhecidas para o Povo Belo, vieram em três formas.

Primeiro, a descrição de golens de fluido de pedra serpentina é compatível somente a uma outra descrição do qual eu estou ciente. Os diários de Tsensyiir de Tashluta, intitulado Um Conto de Sangue Frio: Jornada rumo ao Poço de Víboras, incluem uma argumentação sobre um templo coberto de vegetação nas profundezas da Selva Negra nas margens do Mar Lapal. De acordo com a descrição de Tsensyiir, ele tropeçou através deste antigo santuário enquanto fugia dos temíveis homens-serpente de Tashalar. Tendo encontrado refúgio no santuário principal, Tsensyiir empregou um certo tempo para descrever os ídolos antigos que rodeavam o ensangüentado altar central; sua descrição é compatível com os golens descritos por Prata Verdadeira com exatidão. Embora dificilmente seja indicativo de qualquer conclusão, o relato liga a humilhados yuan-ti a uma região do Norte que eles aparentam não terem gostado de ocupar desde antes da ascensão de Aryvandaar.

Segundo, a descrição de um demônio semelhante a um sapo com seis olhos é compatível com somente uma outra crença registrada no compêndio enciclopédico de crenças listado no Cultos e Clérigos: Um Registro de Seitas Desde a Queda de Netheril, escrito pelo Mestre do Conhecimento Mais Louvado Prespaerin Cadathlyn, da Casa dos Muitos Tomos no planalto de Impiltur, a oeste de Songhal. De acordo com o “Encadernador de Livros de Faerûn”, as descrições anteriormente conhecidas de Ramenos — a divindade batráquia venerada por muitas tribos bullywug no Pântano de Chelimber — se parecem com um lorde dos slaadi de seis olhos. Novamente, esta obscura referência liga o Salão de Brumas até uma crença dos dias modernos praticada somente pelos descendentes degradados das Raças do Criador.

Finalmente, eu recentemente adquiri de um vendedor de livros em Llork um relato da última aventura da Companhia das Areias Douradas, um grupo de desafortunados saqueadores de tumbas que desapareceu nas profundezas de Anauroch no Ano da Serpente (1359 CV). De acordo com este relato anônimo, intitulado Areias de Ouro, a companhia acidentalmente cruzou com um pequeno grupo de homens-lagarto que aparentavam estar nitidamente fora de seu ambiente, no meio da arenosa desolação do Grande Deserto. Ainda que dolorosamente oprimidos por seus adversários reptilianos, a companhia conseguiu derrotar os homens-lagarto e deles recuperar um mapa de uma tumba misteriosa enterrada sob um oásis sem nome do deserto. No canto do mapa estava uma curiosa inscrição na língua arcana dos anciões que remetiam ao serpenteado rúnico inscrito nas Peles Douradas do Mundo da Serpente. A descrição então discute os trabalhos da companhia antes dela encontrar a tumba, porém não inclui detalhes que revelem sua localização mais precisamente do que as margens mais a oeste de Anauroch. De acordo com o diário, todos os membros da companhia, exceto o autor, morreram nas salas exteriores da tumba devido aos estragos dos guardiões de tumba élficos.

O interesse dos homens-lagarto nesta antiga tumba, unida com a presença de guardas élficos mortos-vivos, sugere que esta cripta possa bem datar antes do Iqua'Tel'Quessir e conter segredos que o Povo Belo não quer que sejam descobertos de qualquer modo. Se verdadeiro, então as já mencionadas Peles Douradas do Mundo da Serpente podem bem ser o nome pelo qual os homens-lagarto se referem aos perdidos Pergaminhos Nether. Como visões relatadas dos Pergaminhos Nether são lugar comum em contos junto à lareira, assim são as descrições de répteis antigos e ruínas batráquias, ambas explicações descrevem aparentes legados do Iqua'Tel'Quessir, vigiados com atenção pelo Povo Belo, nos quais os pergaminhos dourados que serviram como fundação do antigo domínio da Arte de Netheril podem ser encontrados. A similaridade natural destas descrições proporciona o aspecto de veracidade para ambos os contos. [5]

Em qualquer evento, o fato de que Prata Verdadeira conseguiu escapar do Salão de Brumas pela destruição de um antigo portal sugere que os pergaminhos dourados dos quais ele fala contém energias arcanas extremamente poderosas. Se realmente eles eram alguns dos Pergaminhos Nether [6], o qual, de acordo com a lenda, são supostamente indestrutíveis, então a descrição de Prata Verdadeira pode bem ser explicada se o portal que ele tentou usar conduzisse a um plano de absoluta aniquilação, tal com o Plano Material Negativo. Os Pergaminhos Nether podem certamente ter sido poderosos o bastante para destruir o portal ao invés de passarem através dele, porém, como Prata Verdadeira, eles também podem ter sido arremessados em outro lugar neste plano. [7]

Prudentemente, o conto termina com a sugestão que nem o Salão de Brumas nem Prata Verdadeira ostentam o suposto conjunto de Pergaminhos Nether que ele descobriu, ainda que alguém surpreenda-se sobre como o onisciente narrador está tão certo que este conjunto parcial de Pergaminhos de Nether não mais está sob o antigo Vovô Árvore. Em qualquer evento, tampouco a destruição de um dos três portais ou o suposto desaparecimento dos Pergaminhos Nether uma vez contidos dentro do Salão de Brumas pode explicar porque a relatada oportunidade que o Vovô Árvore recentemente deu a tribo do Fantasma da Árvore de finalmente retornar para seu tradicional cemitério ancestral. [8]

Notas do Cronista

[1] As raízes do Vovô Árvore estão entrelaçadas com um labirinto de túneis do tamanho de gnomos, lavrado no solo pela colônia de formigas gigantes. Grupos de formigas guerreiras patrulham os túneis, que possuem aproximadamente 1,2 m de diâmetro, aproximadamente de forma oval, e feito de terra batida. Liquens adornam as paredes dos túneis, e uma vegetação apodrecida, cheia de fungos, forma acúmulos altos na maioria do solo dos túneis. A maioria das junções dos túneis alarga em grandes câmaras de terra com tetos baixos ocupados por pequenos grupos de formigas operárias. A câmara dos ovos esta dentro da extremidade mais a norte da grande câmara que conduz ao Salão das Brumas.

[2] A criação das catacumbas e as origens do exílio Uthgardt tem as suas raízes na destruição de Ascalhorn no Ano da Maldição (882 CV) pela horda de tanar’ri conjurados. Antigamente abrigados na cidadela desde então conhecida com Forte Portão do Inferno, os demônios rapidamente invadiram as povoações da floresta do reino élfico de Eaerlann e os salões internos do reino anão de Ammarindar. Até os Harpistas e seus aliados estabelecerem poderosas proteções permeando as terras próximas à cidadela no Ano da Clareira Quebra-Fogo Caída (886 CV), a mácula do Abismo tinha se espalhado sem ninguém perceber através de belas florestas do Vale Superior, criando em seu horrível despertar, retorcidas abominações da flora e fauna nativa.

Uma tal distorção da ordem natural foi criada no Ano do Juramento do Gigante (883 CV) quando um turbilhão de caos mágico envolveu uma colônia de formigas vermelhas, fazendo-lhes rapidamente crescer a proporções colossais. Barradas do agora minúsculos túneis de seu formigueiro, as formigas gigantes marcharam na direção oeste para dentro das profundezas da floresta em busca de um novo lar, deixando uma trilha de destruição para trás. Um vestígio da maculada origem Abissal que estimulou a transformação da colônia deve ter permanecido dentro das formigas, já que sua marcha as levou inexoravelmente em direção do Vovô Árvore e os portais para o Abismo que jaziam debaixo dele. Como descrito no relato revelado pelo Guardião, as formigas gigantes enxamearam através do Vovô Árvore antes de perfurarem dentro de suas raízes através de um antigo abscesso no tronco.

Como um resultado de sua grande proximidade ao Salão de Brumas e a prolongada mácula do Abismo, as formigas gigantes que habitavam sob o Vovô Árvore hoje possuem a habilidade de mudar de plano, não muito diferente das aranhas interplanares. Além disso, a casta da rainha e a guerreira exibem habilidades regenerativas não muito diferentes dos Eternos do Charco dos Trolls.

[3] Neste ponto a profundidade do contínuo ceticismo do Guardião em relação à amplitude das aventuras de Mintiper se estende ao bizarro, subestimando a qualidade de sua escolaridade e a força de suas teses. (Veja Livreto de Mintiper #2: A Árvore das Almas Atormentadas para futuras discussões do personagem Prata Verdadeira e as raízes do ceticismo do Guardião. Veja Livreto de Mintiper #8: Vovô Árvore para mais detalhes sobre a desorientada teoria do Guardião, que o épico Fantasma da Árvore reconta as aventuras de um bárbaro Uthgardt sem nome). Todavia, ao revelar a “A Faixa de Fogo Vermelho” e reconhecer sua relevância, o Guardião realmente descobriu um relato histórico revelando a verdadeira origem das formigas gigantes encontradas por Mintiper e seus companheiros entre as raízes do Vovô Árvore.

[4] Nem todos os tesouros encontrados dentro do Salão de Brumas datam antes dos Dias do Trovão e o Iqua'Tel'Quessir. Muitos foram saqueados pelas formigas durante suas escavações subterrâneas dos anéis de sepulcros que envolvem o Vovô Árvore e então levados para dentro do Salão de Brumas por alguma estranha compulsão. Os tesouros que Prata Verdadeira descreve incluem as Víboras Retorcidas de Sss'thasine'ss (com poderes não muito diferentes de um cajado de cura), o Orbe de Runas das Estrelas (uma bola de cristal que projeta seu conteúdo — equivalente a um livro da escuridão perversa – para dentro da mente do observador), e o Cajado de Turlang (uma relíquia sagrada da tribo do Fantasma da Árvore esculpida de um galho quebrado do grande ente com poderes semelhantes à magia de druida cajado vivo, mas hábil em criar um ente capaz de animar árvores adicionais como entes).

[5] Note que o Guardião não possui escrúpulos sobre tirar uma conclusão de dois exemplos neste caso, mesmo assim ele previamente aparentava completamente cético sobre qualquer veracidade implícita sugerida pela aparente similaridade entre a descrição de Prata Verdadeira das formigas gigantes sob o Vovô Árvore e o conto intitulado “A Faixa de Fogo Vermelho”.

[6] Mintiper realmente descobriu três dos Pergaminhos de Nether, ainda que se eles permanecem dentro do Salão de Brumas ou se foram arremessados em outro lugar pelos turbilhões mágicos liberados durante a destruição do terceiro portal permanece desconhecido. Este conjunto foi parte da coleção completa perdida durante a Era do Mythallar de Netheril.

Não ficou claro como os três pergaminhos fizeram seu caminho para dentro do Salão de Brumas, após serem roubados dos Netherese, assim como não ficou claro como dois outros pergaminhos fizeram seu caminho para dentro da Tumba de Hsssthak, sob as areias de Anauroch, já que Hsssthak foi presumidamente sepultado antes da ascensão de Netheril. Talvez o ladrão deliberadamente espalhou o conjunto roubado de Pergaminhos de Nether entre várias ruínas do Iqua'Tel'Quessir? Se assim foi, a motivação era escondê-los dos Netherese ou encorajar os Netherese a procurar outros locais de poder datando antes das Raças do Criador? Se o primeiro for o caso, então a conspiração obteve sucesso, ainda que a motivação permaneça obscura. Se o segundo, então os esforços do perpetrador aparentam ter andado no mínimo parcialmente para o fracasso total.

Os três pergaminhos incluem um dos Magicus Creare detalhando, entre outras coisas, a criação de cetros mágicos, um dos Major Creare (Criação de Pergaminhos) detalhando, entre outras coisas, a arte de criar várias formas de golens, um dos Planus Mechanicus detalhando, entre outras coisas, a arte de criar portais para outros planos.

[7] Os dois portais que estão em cada lado da estátua central no Salão de Brumas conduzem a diferentes planos do Abismo. O portal da esquerda transporta aqueles passando através dele até a 248ª nível do Abismo, um plano governado pelo lorde demônio Eltab, Lorde da Camada Oculta, que recentemente escapou do aprisionamento nas mãos dos Arcanos Vermelhos de Thay. O portal da direita transporta os andarilhos do portal até a 571ª camada do Abismo, um vasto, oceano escuro governado por Dagon, o Lorde Demônio das Profundezas.

Como o Guardião corretamente supõe, o terceiro portal que esta de frente a estatua central conduz ao Plano Material Negativo, ainda que a tentativa de Mintiper de passar através dele com os Pergaminhos de Nether na mão indubitavelmente salvou sua vida e destruiu o portal definitivamente. Hoje, tudo que restou deste uma vez mortífero portal é um filete de fumaça obsidiana que emana da boca do portal demoníaco, arrepiando os ossos de qualquer um que passe através dele.

[8] Como descrito no Livreto de Mintiper #8: Vovô Árvore, o Vovô Árvore conduziu a tribo do Urso Azul para longe no Ano da Árvore Queimada (890 CV) e saudou o retorno dos seus descendentes — agora a tribo do Fantasma da Árvore — no Ano da Bandeira (1368 CV). Ambas as ações foram diretamente ligadas a desdobramentos relativos ao Salão de Brumas. No primeiro caso, a ação do Vovô Árvore foi precipitada pelas atividades de escavação da colônia de formigas gigantes. Sete anos após a chegada da “Faixa de Fogo Vermelho”, formigas operárias irromperam para dentro do Salão de Brumas, abrindo suas antigas muralhas para o mundo exterior pela primeira vez em milênios. No caso seguinte, o arakhor (um tipo de entidade da qual o Vovô Árvore é o ultimo exemplo conhecido, como discutido no Livreto de Mintiper #8: Vovô Árvore) estava respondendo ao fechamento do portal para o Plano Material Negativo. Uma vez que Mintiper destruiu o portal, os riscos para a antiga árvore guardiã diminuíram consideravelmente, e o Vovô Árvore sentiu-se mais confortável com seus defensores tradicionais presentes do que exilados para sua própria segurança. Isto não é para dizer que os portais gêmeos para o Abismo encontrados no Salão de Brumas não propõem riscos significantes ao Vovô Árvore pela sua continua existência. Simplesmente, a ameaça imposta pelo Plano Material Negativo à essência do arakhor de longe excede o dano que um demônio ou dois possam infligir após viajarem através do portal.

Referências

Introdução

  • Referências gerais a Mintiper Lua Prateada são citadas na primeira coluna do Livreto de Mintiper.

Salão das Brumas

  • O Vovô Árvore é discutido no FR5: The Savage Frontier, pags. 17, 24, 25, 52, 53, 54, 55, 59, 63, The North: The Wilderness, pags. 19, 22, 31-32, 54-55, 57, e Powers & Pantheons, págs. 66-72.

  • O Salão das Brumas e seus ocupantes são discutidos no FR5: The Savage Frontier, pags. 54, 63, e The North: The Wilderness, págs. 55.

  • A pedra serpentina é discutida no Volo's Guide to All Things Magical, pág. 49.

  • O Iqua'Tel'Quessir (raças do criador) são discutidas no FR5: The Savage Frontier, págs. 2-3, 59, REF5: Lords of Darkness, págs. 34, 80-81, The North: The Wilderness, pág. 7, Powers & Pantheons, pág. 2, e Cormanthyr: Empire of Elves, pág. 21.

  • As atividades yuan-ti nas profundezas das Selvas Negras são discutidas no Powers & Pantheons, pág. 86.

  • O clérigo de Oghma Prespaerin Cadathlyn é mencionado no Faiths & Avatars, pág. 133.

  • Os bullywugs do Pântano de Chelimber são discutidos no Monsters of Faerûn, pág.25. Ramenos, deus dos bullywugs, é detalhado no Monstrous Mythology, pág. 101.

  • A descrição da Companhia das Areias Douradas é tirada da descrição da Tumba de Hssthak detalhada no Lords of Darkness, págs. 34-41, 80-81. O Mundo da Serpente, um deus primordial das Raças Criadoras, do qual se formaram várias divindades reptilianas, é discutido no Monstrous Mythology, pág. 100, e Powers & Pantheons, pags. 84-88.

  • Os Pergaminhos Nether são discutidos no FR5: The Savage Frontier, pags. 3, 60, 63; The North: The Wilderness, pags. 8, 62, 81, Netheril: The Winds of Netheril, págs. 4-12, Netheril: Encyclopedia Arcana, pág. 8, e Cormanthyr: Empire of the Elves, pags. 158-160.

  • A queda de Ascalhorn é narrada no FR5: The Savage Frontier, pags. 4, 42, The North: The Wilderness, págs. 8, 53, The North: Cities, pág. 49, e Hellgate Keep, págs. 5-8.

  • Os tesouros encontrados dentro do Salão de Brumas são detalhados no FR: The Savage Frontier, pág. 63.

  • A destinação e status dos portais encontrados dentro do Salão de Brumas são detalhados no FR5: The Savage Frontier, pág. 63.

  • Eltab, o Lorde da Camada Oculta, é discutido ou lembrado no FR6: Dream of the Red Wizards, págs. 17-18, Spellbound: Campaign Guide, págs. 40, 127, Spellbound The Runes of Chaos, págs. 29-32, Spellbound: Monstrous Compendium, pág. 5, e Faiths & Avatars, pág. 126.

  • Dagon é discutido no Monster Manual II, pág. 35.



Sobre o Autor

Eric L. Boyd escreveu artigos para a Dragon Magazine, Dungeon Adventures, e Polyhedron Magazine. Seus créditos no desenvolvimento de jogos incluem Faiths & Avatars (Crenças & Avatares), Volo's Guide to All Things Magical (Guia de Volo para Todas as Coisas Mágicas), Powers & Pantheons (Poderes & Panteões), Demihuman Deities (Divindades Semi-Humanas), Drizzt Do'Urden's Guide to the Underdark (Guia de Drizzt Do'Urden para o Subterrâneo), Cloak & Dagger (Manto & Adaga), e o Faiths & Pantheons (Crenças & Panteões). Em adicional escreve sobre seu jogo mundial favorito, Eric dirige o desenvolvimento de um grupo de software em Ann Arbor, Michigan.

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