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Notas de Romance
 
Atraso no Subterrâneo: A Trilogia de Elaine Cunningham Tem sua Conclusão
Por Michael G. Ryan
Traduzido por Priscila Veduatto, revisado por Daniel Bartolomei Vieira.



Quando Elaine Cunningham começou sua saga da elfa drow Liriel com o livro Daughter of the Drow (A Filha do Drow), ela adiantou dois livros na série Starlight & Shadows (Luz & Trevas). O segundo livro deixaria a história em aberto para uma possível continuação, contanto que Liriel e seus companheiros fossem bem recebidos pelos fãs dos Reinos Esquecidos.

Isso foi a sete anos atrás.

Tangled Webs (Teias Emaranhadas) de 1996 foi a continuação das aventuras de Liriel na superfície do mundo, mas então a maré mudou e as histórias da drow se tornaram menos freqüentes. Para Elaine Cunningham era realmente questão de marcar o tempo.

“Eu trabalhei em outros livros: Evermeet (Encontro Eterno), Dream Spheres (Esferas de Sonho) e Thornhold (Alça de Espinhos)”, ela diz sobre anos que se seguiram após a publicação de Tangled Webs. “Eu queria completar o conto de Liriel e submeti propostas em várias ocasiões, mas os editores tinham outras idéias. Naquele momento eles queriam livros para pessoas novas nos Reinos Esquecidos, começos que não fariam os novos leitores sentirem que tinham que ler pilhas de outros livros apenas para acompanharas hostórias. O resultado foi a trilogia Counselors and Kings (Conselheiros e Reis), que se passa na região pouco conhecida de Halruaa”.

Mas todas as coisas boas aparecem para quem espera: ao seu tempo, as marés mudaram mais uma vez, e a Wizards of the Coast resolveu trazer de volta a drow à vanguarda do seu programa de publicação recentemente, com um número de romances e produtos incluindo o romance War of the Spider Queen (A Guerra da Rainha Aranha) e a aventura City of the Spider Queen (A Cidade da Rainha Aranha). A história de Liriel se ajusta muito bem nessa nova ordem. Então, finalmente, sua história foi concluída com a publicação de Windwalker (Andarilho dos Ventos) o terceiro e último livro na saga Starlight & Shadows.

Foi um longo tempo de espera, mas foi muito bem aproveitado.

Windwalker começa exatamente onde a história parou em Tangled Webs. Esse livro terminou com Liriel e Fyodor em uma embarcação deixando Ruathym e indo para o continente, e Windwalker começa com essa jornada no mar até seu fim. “Devido ao longo atraso entre os livros, pareceu importante incluir algumas passagens em flashback” Cunningham comenta. “O prelúdio, certamente, começa com eventos anteriores de Daughter of the Drow. Leva-nos de volta a Rashemen, à batalha contra a horda Tuigan, que resultou no exílio de Fyodor e na sua busca pelo amuleto Andarilho dos Ventos. Em seguida, vem uma ‘reprise’, que nos leva até o ponto da história no qual Gorlist e Shakti desaparecem de vista”.

Muitos romances de fantasia, ela explica, são geralmente sobre um jovem herói deixando sua casa para perseguir uma jornada; essa história, entretanto, é exatamente o oposto. “Fyodor, após completar sua primeira missão, volta para casa” ela destaca. “Até agora nós o temos visto através dos olhos de Liriel ou, ao menos, no contexto de sua relação com Liriel. Contra o cenário dessa pátria, seu canino (uma companhia animal selvagem) e sua família, você realmente vê Fyodor pela primeira vez como pessoa, e não como um nobre cavaleiro devotado à sua dama. Essa é a revelação para Liriel, que está acostumada com tudo ser sobre ela”.

Naturalmente, Liriel permanece como o centro da saga, e em Windwalker, ela passa por uma grande transformação. Em Daughter of the Drow, Cunningham relembra, Liriel deixa o Subterrâneo e sua família surpreendentemente disfuncional para trás, encontrando aventura a céu aberto e amizade com alguém que ela realmente pode confiar. Em Tangled Webs a aventura se torna responsabilidade, amizade se torna intimidade e, pela primeira vez na sua vida, Liriel foi forçada a se deparar cara a cara com sua própria natureza sombria. Mais revelações perturbadoras esperam por ela em Windwalker. “Ela aprende que ações têm conseqüências”, Cunningham diz sombriamente, então acrescenta: “algumas vezes, conseqüências de longo alcance”.

E sim, Cunningham confirma que Shakti está de volta, mas que ela poderá surpreender os leitores…

Um escritor menor poderia sentir que Liriel – ou qualquer personagem drow, no que diz respeito – existe à sombra DO DROW andarilho e seu criador, R. A. Salvatore. Mas Elaine Cunningham não está preocupada com comparações entre sua protagonista e Drizzt. “Alguns leitores irão gostar das duas histórias, de Drizzt e de Liriel, outros terão uma preferência mais forte”, ela diz diplomaticamente. “Já que os personagens e suas histórias são tão diferentes, isso parece inevitável. Mas competição (entre os autores) simplesmente não entra em cena. Se não fosse pela Estilha de Cristal, eu não estaria escrevendo para os Reinos. Se não existisse um Drizzt, não existiria uma Liriel”.

Ainda, escrever sobre criaturas do Subterrâneo não acontece sem desafios. Escrever sobre o próprio Subterrâneo, por exemplo, trouxe para Cunningham um desafio incomum. “Eu sou um pouco mais do que claustrofóbica”, ela admite, “o que torna o tempo que eu passo no Subterrâneo desconfortável. Apesar de parecer uma desvantagem, eu me dei bem. Existe um sentido de urgência na inquietude de Liriel e seu desejo por aventuras na superfície que, de outra forma, poderiam não ser descritos nas páginas, se não fosse por esse acaso”.

“Dito isso, eu realmente gosto da beleza e do mistério das cavernas”, ela acrescenta. “Há algum tempo atrás minha família passou uma semana de feriado no sul da Inglaterra e visitou as cavernas em Cheddar Gorge. Eles foram bem cuidadosos e bons turistas com as cavernas, notem, mas meu filho caçula ficou absolutamente encantado. Ele estava em todo lugar, explorando com uma vivacidade e uma felicidade que me trouxeram Liriel vividamente à cabeça. Naquela época ele também tinha o tamanho de Liriel. Vê-lo se movimentar pelas cavernas como um Orlando Bloom pré-adolescente com uma pressa foi uma experiência diferente (‘Hum, parece que eu acabei de escrever essa cena…’)”.

Windwalker se passa em um local onde Cunningham diz se sentir mais à vontade. “Rashemen possui elementos de cultura popular eslava”, ela nota. “Essa é minha herança, e enquanto eu estava escrevendo os locais da terra de Fyodor, eu senti como se pudesse me movimentar por ali. De vez em quando eu podia ouvir a risada desinibida de minha avó entre as vozes da vila, ou uma canção polonesa familiar vindo de uma das cabanas. Esse era meu presente inesperado”.

No final, Cunningham esculpiu um nicho especial para si mesma como um dos poucos autores capazes de delinear fundamentalmente as raízes dos romances sobre drows. “No coração das histórias de fantasia está a luta entre o bem e o mal”, ela explica. “Drows são a incorporação do mal e, como tais, eles representam um desafio real. Alguns leitores vêem os drows como máquinas assassinas que apenas têm prazer em atos de destruição. Mas isso é problemático porque se você pega esse argumento da ‘maldade’ para uma conclusão lógica, os drows logo terminarão sua existência. Se os seus impulsos fossem expressões permitidas sem restrições, a sociedade drow iria entrar em colapso. A vida envolve encontrar um equilíbrio, e quanto aos drow, a luta entre o bem e o mal é expressada de uma forma muito incomum. Eles têm que se forçar a serem apenas bons o suficiente para sobreviver, para atender às necessidades da vida cotidiana e para perpetuar sua sociedade e sua raça. Essa é uma nova virada na questão bem-versus-mal, e é uma questão interessante.

Tal profundidade de entendimento serviu bem a Cunningham não apenas em seus contos dos Reinos, mas também em seus contos de uma galáxia muito, muito distante. Seu romance Dark Journey (Jornada Sombria) de 2002, continuou a saga sempre em expansão de uma Nova Ordem Jedi no Universo Guerra nas Estrelas, mas para Cunningham o processo de escrever sobre Yuuzhan Vong não foi muito diferente de escrever sobre os drows. “O primeiro passo foi ler material de apoio: romances, produtos de jogo, revistas em quadrinhos”, ela diz. “Eu sou fã de Guerra nas Estrelas desde o primeiro dia, então não me importei nem um pouco de fazer pesquisa.

“Escrever em qualquer mundo compartilhado envolve uma troca” ela acrescenta. “Um autor de uma série compartilhada requer muito mais visão do que um autor solitário ou uma trilogia, então teve muito vai e volta com os editores da Del Rey e o pessoal do Licenciamento da LucasFilm (eu suspeito que o pessoal escrevendo a série dos Reinos Esquecidos War of the Spider Queen iria reportar uma experiência similar!). Apesar de os autores da Nova Ordem Jedi estarem trabalhando para uma história ‘bíblica’, o que uma pessoa escreveu realmente moldou o que estava por vir. Para complicar a situação, muitos autores estariam trabalhando em livros em qualquer hora. Isso levou a numerosas e muito interessantes discussões. Troy Denning, em particular, foi extremamente útil”.

Com a aventura de Liriel terminada, Cunningham passou a trabalhar em novos contos, tanto seus próprios quanto de outros – ela fica relutante em discutir muito sobre si mesma (“eu acho que informação pessoal sobre autores deve ser dada da mesma maneira como acontece em um romance: quando é relevante para a história”), apesar de que ela irá divulgar seus autores favoritos como sendo relevante no entendimento do que ela escreve. Ela pode listar facilmente poucos dos seus autores favoritos de fantasia e de ficção científica: Neil Gaiman, Connie Willis, Greg Bear, Gregory Keyes (“é sério”, ela se adianta, “leiam King Briar [Rei Briar], seu último livro”), George R.R. Martin, Harry Turtledove, Marion Zimmer Bradley, J. Robert King e Laurell K. Hamilton. Mas os hábitos de leitura de Cunningham não se restringem a seus próprios campos. Em ficção histórica ela gosta de Sharon Penman e Morgan Llewellyn. “Recentemente eu li o livro de Jane Stevenson The Winter Queen (A Rainha do Inverno), um romance histórico belamente escrito com maravilhoso senso de tempo e lugar”, ela acrescenta. Seus autores de mistério favoritos incluem Ellis Peters (“especialmente os mistérios medievais de Cadfael”), Lawrence Bloch, J.D. Robb, e Janet Evanovich. Fora do gênero ficção, outros poucos favoritos são John Irving, Toni Morrison, Amy Tan e Andrew Vachs. “Eu leio bastante sobre história, mitologia e cultura popular. Antonia Fraser, Magnus Magnuson e Geoffrey Ashe estão entre meus historiadores favoritos. Meus humoristas favoritos incluem Mark Twain, Oscar Wilde, Dorothy Parker e Dave Barry. Eu estou claramente certa de que não há um padrão aqui!”.

E quando ela não está lendo, como se esperaria, ela está escrevendo. “Eu estou terminando um romance de pesquisa intensiva no qual estou trabalhando há muito tempo. Não é um livro dos Reinos Esquecidos; de fato, é completamente diferente de qualquer coisa que já fiz. Várias histórias curtas e alguns artigos de não ficção estão em vários estágios de conclusão. Lá pelo meio de março (2003), eu terei terminado todos eles e estarei pronta para agarrar novos projetos”.

Quanto a Windwalker, que logo prenderá os leitores na jornada final da aventura épica de Liriel, Cunningham espera que os leitores fiquem com essa simples mensagem sobre o romance: que escolha e destino são profundamente entrelaçados. “Todo mundo na história passa por eventos de sua própria autoria” ela aponta, “e enquanto nenhum dos personagens aceita placidamente seu destino, herança e crença definitivamente moldam suas respostas. Como a maioria de nós, eles geralmente fazem escolhas baseadas em resultados que eles acreditam que acontecerão. Importa muito de onde viemos. E também importa o que acreditamos sobre a vida e sobre nós mesmos”.

“Nunca ocorreu a Liriel considerar suas próprias limitações” ela acrescenta. “A crença de que nada é impossível é muito poderosa e faz com que ela se abra para possibilidades inesperadas. Eu acho que viver como Liriel vive, com paixão e sem restrições, é um ato de tremenda coragem. Ela irá encarar muita tentação, errar mais e experimentar mais dor e desilusão do que uma pessoa comum, mas enquanto ela vive, ela estará muito mais completa, vibrantemente mais viva do que qualquer pessoa se atreve a ser”.

É claro, Cunningham certamente considera escrever um outro livro que permita que Liriel viva até mais, mas como ela aponta, “a cópia na capa interna dos livros Starlight & Shadows deixa bem claro que a história de Liriel será limitada a esta trilogia”. Além disso, ela acrescenta, parece provável que quando o “Ano do Drow” terminar, os leitores estarão prontos para seguir em frente com outras coisas.

“Por outro lado, eu aprendi a não rejeitar nada”, ela diz. “Sete anos se passaram entre o segundo livro e o terceiro. Quem sabe o que irá acontecer daqui a sete, cinco ou dois anos? Até onde eu sei, eu não estou certa nem do que escreverei no mês que vem!”.
Confira os romances de Starlight & Shadows:

Daughter of the Drow (A Filha do Drow)

Tangled Webs (Teias Emaranhadas)

Windwalker (Andarilho dos Ventos)



Sobre o autor

Thomas M. Costa é um membro profissional do comitê na U.S. House of Representatives. Ele tem contribuído em muitos produtos da Wizards of the Coast como Demihuman Deities (Divindades Humanóides) e Races of Faerûn (Raças de Faerûn), e é o autor ou co-autor de um número de Dragon Magazine e artigos do website da Wizards of the Coast.

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