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Notas de Romance
 
Perfil do Personagem: Tycho Arisaenn

Por Don Bassingthwaite
Traduzido por Otávio Tavares; revisado por Daniel Bartolomei Vieira.



Tychoben Arisaenn nasceu despretensio- samente no Ano da Rédea (1349 CV) em uma cabana cercada por finas paredes na zona portuária de Spandeliyon, a então chamada “Cidade dos Piratas” na península assoladas pelo vento de Altumbel. Seus pais foram pessoas boas e honestas – ou ao menos tão boas e honestas quanto qualquer um no distrito das docas. Sua mãe, Grita, foi uma pescadora que trabalhava nas águas do Mar das Estrelas Cadentes, na costa de Altumbel, assim como seu pai; nas docas, rumores afirmavam que Jaffen Arisaenn já havia velejado a bordo de um navio pirata antes mesmo de velejar em um bote pesqueiro. Mas isso não importa – metade dos habitantes das docas, e um bom número no centro da cidade, poderiam clamar o mesmo.

A infância de Tycho foi típica de um rato de doca em Spandeliyon. Seu berço foi um caixote forrado com um manto de peles de raposa sarnenta, que uma vez ornou os ombros de uma matrona da cidade alta. Tycho meteu-se em problemas assim que começou a andar e rapidamente progrediu para dormir sob cobertores roubados e roubar vegetais e pequenos bens de barracas do mercado. Outras atividades incluíram molestar bêbados e esquivar-se dos serviços religiosos que seus pais tentavam instilar-lhe. Ele adquiriu reputação por ter pés rápidos, dedos lépidos e língua ainda mais rápida. Mesmo à tenra idade, Tycho descobriu que podia falar por si mesmo em uma situação tensa; e descobriu ainda uma doce voz e um talento para cantar, ainda que isso tivesse pouca serventia para uma criança despreocupada.

Sua vida mudou no Ano das Sombras – durante o Tempo das Perturbações. Diferentemente de tantos em Faerûn, que sofreram durante este tempo negro, a tragédia de Tycho foi de natureza puramente mundana. Uma violenta tempestade emborcou o barco de sua mãe e lançou Grita nos braços de Umberlee. Jaffen, seu pai, sobreviveu ao acidente e voltou à praia, mas foi transformado pela experiência. Uma inquietação cresceu dentro dele, e mesmo quando amigos tinham piedade do homem e o contratavam para seus botes, ele freqüentemente passava mais tempo observando o horizonte de águas do que as redes de pesca. Findo um inverno severo, seus olhos fixaram-se no mar, e na primavera ele deixou Spandeliyon, confiando a Tycho, então com nove anos, aos cuidados de amigos. Rumores correram nas docas afirmando que ele havia retornado à vida de pirataria que havia abandonado anos antes.

Tycho percebeu que a fase tranqüila de sua existência chegara ao fim. Seus pais adotivos eram peixeiros, e enquanto um bote pesqueiro podia não ser lugar para uma criança, o mesmo não podia ser dito de uma carroça de peixeiro. Ajudar seus pais adotivos foi sua libertação, e Tycho teve sua primeira introdução civilizada à gente melhor do centro da cidade e da cidade alta de Spandeliyon. Uma língua eloqüente e um talento especial de se adaptar às maneiras encantou cozinheiros, criadas e mordomos; e Tycho pôde fazer de si mesmo um ótimo peixeiro. Seu primeiro amor, contudo, corria livre pelas ruas das docas e, para frustração de seus pais adotivos, ele estava longe de seus deveres tão freqüentemente quanto os cumpria.

Jaffen retornou tardiamente a Spandeliyon no Ano do Torreão (1360 CV), ainda que seu braço direito não – fora perdido abaixo do cotovelo. Jaffen não falava sobre isso. Ele trazia, contudo, uma grande quantidade de moedas de prata. Os pais adotivos de Tycho ficaram bastante felizes em devolvê-lo aos cuidados de Jaffen, e Tycho ficou feliz em deixá-los, contente por estar livre de seu trabalho rigoroso e de estar novamente com seu pai. Contudo, um braço não era tudo que Jaffen havia perdido. A inquietação que o havia arrastado de Spandeliyon foi substituída por um sombrio silêncio e as moedas que ele havia trazido consigo desapareceram rapidamente nas mãos dos taverneiros. Uma noite, no começo do Ano da Donzela, Jaffen caminhou para dentro do mar. Seu corpo foi levado à praia na manhã seguinte, azulado pelo frio.

A prata havia-se ido e Tycho era um órfão. Ele tentou voltar para seus pais adotivos, mas a caridade e boa vontade deles eram limitadas e eles o rejeitaram. As duas tradições de Spandeliyon – a pesca e a pirataria – permaneciam abertas para ele, mas a primeira havia clamado sua mãe e a segunda, seu pai. Tycho sabia que não queria nenhuma delas. Determinado a não seguir seus pais para um túmulo úmido, ele voltou-se para seus próprios talentos, criando seu caminho por meio de pequenos roubos, pequenas trapaças e a compreensão que sua doce voz possuía um uso: pessoas pagariam por uma canção. Tycho começou cantando canções de marinheiros em tavernas nas docas e baladas em esquinas do centro da cidade. Isso lhe trouxe algumas peças de cobre, o que foi suficiente para mantê-lo vivo durante a maior parte de dois anos.

No verão do Ano do Dragão (1363 CV), a vida de Tycho mudou novamente. Ele estava de pé uma noite no canto do Mercado da Glória no centro da cidade, cantando pela atenção daqueles que vagavam pelas ruas e estava obtendo sucesso em atrair moedas como resultado, quando um grupo de comerciantes e suas famílias passaram tagarelando em voz alta. Pelo tempo que eles estiveram passando, roubaram a atenção voltada a Tycho. Insultado, Tycho cantou alto, acima da conversa dos mercadores, esperando afastá-los. Para sua surpresa, um estranho entre eles, uma velha mulher, de fora de Spandeliyon a se julgar por seus trajes, parou, olhou para ele, e cantou em resposta. Pensando que ela o estava zombando, Tycho a imitou, nota por nota até que os homens da comerciante o afastaram.

Não obstante, dois dias depois, Tycho ouviu novamente a canção da velha mulher, dessa vez nas docas, e dessa vez dirigida para ele. Irritado, ele cantou uma vez mais. Sem guardas para pará-lo, o duelo de canção se prolongou, atraindo uma multidão para ver e ouvir, até que a velha mulher derrotou Tycho com uma sublime melodia que foi a mais bela coisa que ele já havia ouvido. A multidão explodiu em aplausos, e, para surpresa de Tycho, peças de cobre choveram na rua, vindas daqueles que os ouviam.

Quando a multidão se dispersou e o cobre havia sido recolhido, a velha mulher se apresentou. Seu nome era Veseene, também chamada Veseene, a Cotovia. Tycho estava atordoado. Mesmo na zona portuária de Spandeliyon ele havia ouvido sobre a Cotovia, uma das mais renomadas bardas de todo o Mar das Estrelas Cadentes. Veseene havia viajado a Spandeliyon para cantar para os ricos e poderosos de Altumbel, mas durante a semana seguinte ela visitou a zona portuária numerosas vezes. Enquanto ouvia Tycho e lhe ensinava novas canções, suas maneiras e comportamento mostravam que ela estava muito mais em casa entre as tavernas rústicas do que no centro da cidade.

Ao fim da semana Veseene pediu que Tycho deixasse Spandeliyon com ela e se tornasse seu aprendiz. Ele aceitou imediatamente.

Por sete anos Tycho viajou com Veseene para o oeste, leste, norte e sul – sempre em torno do Mar das Estrelas Cadentes – e aprendeu sua música e sua magia. Seu aprendizado foi jubiloso, porque ainda que Veseene fosse idosa, ela era também tenaz, confiante e, acima de tudo, uma artista mestra. Ao seu lado Tycho cantou e tocou – com o tradicional instrumento Altumbelniano, chamado strilling – por todos os lugares; de cabanas de pescadores até tavernas de marinheiros e mansões de nobres. Velha mestra e impetuoso aprendiz moviam-se facilmente entre todos os níveis da sociedade, e a chave de ouro que abriria qualquer porta e limpava o caminho era sua canção.

Até que a voz de Veseene lhe faltou.

Uma paralisia afligiu Veseene por muitos anos, lentamente piorando com o tempo e deixando tremulas suas mãos e membros. Nenhuma mágica pôde trazer alivio para ela, e no Ano da Manopla (1369 CV), a paralisia tomou também sua voz. A canção da Cotovia vacilou e Veseene ficou muito enferma para a vida viajante de um bardo. Tendo sobrevivido a muitos de seus amigos, Veseene encontrou frieza e pouca caridade. Tycho não pôde abandonar sua mentora e amiga. Mais tarde naquele ano, eles voltaram a um lugar que Tycho conhecia melhor que qualquer outro, e onde poderiam viver das escassas economias de Veseene e sua música: a zona portuária de Spandeliyon.

Mesmo em Spandeliyon, entretanto, o ouro durou pouco e a prata não muito mais, e até mesmo a auto-confiança de um bardo não pode tirar o frio do ar. Era o mês de Martelo do Ano dos Dragões Ladinos (1373 CV), e o ano caminhava para um frio começo…

Discubra mais sobre Tycho no romance The Yellow Silk [A Seda Amarela], por Don Bassingthwaite.



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