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Notas de Romance
 
Perfil do Personagem: Silverfall [Queda Prateada]

Por Ed Greenwood
Traduzido por Otávio Tavares; revisado por Daniel Bartolomei Vieira.



Ela era mais alta do que eu esperava. A pele obsidiana, as curvas graciosas, o liso manto negro, o olhar penetrante da desconfiança friamente controlada – tudo isso foi o que eu imaginei enquanto a criava.

Ou, para dar voz à questão que sempre surgia: Eu a havia criado?

“Ierembree”, eu a comprimentei pelo nome, curvando-me baixo, cuidadosamente, a três longos passos fora de seu alcance.

Os olhos dela lampejaram, e ela atirou-se para longe de mim, o manto girando acima de seus pés desnudos. “Você é o escolhido”, ela disse quase com aversão. “Venha”.

Agarrando minha nova cópia de Silverfall [Queda Prateada] como se ela fosse algum tipo de escudo que pudesse me proteger, eu segui a sacerdotisa drow pelo caminho gramado. A faixa de grama viçosa seguia adentro da floresta, que não se parecia em nada o meu próprio pedaço de floresta coberto de neve, e eu duvidei que ainda encontraria isso em minha floresta, não importa o quanto eu caminhasse e procurasse. Como uma chama negra ondulante, Ierembree foi à minha frente, e cada passo seu era como uma dança graciosa.

Nós subimos um cume florestal, ziguezagueando pelo caminho e esse era circundado de seixos com veios de musgos e árvores retorcidas que eu nunca tinha visto antes. Uma grande extensão de copas de sombras, que certamente não estavam no interior da minha região de Ontário, ergueu-se como um feixe de gigantescas flechas negras diante de nós, e nossa trilha de grama macia procurava um caminho transitável ao seu redor.

Procurava e encontrava, alcançando uma pequena depressão onde minha graciosa guia se juntou a uma meia dúzia de companheiras sacerdotisas de Eilistraee, que permaneciam paradas em linha com os olhos fixos em mim, com muitas pontas de espada negras e prontas.

“Prossiga sozinho. Não se afaste do caminho se deseja viver”.

A voz de Ierembree era tão friamente hostil quanto a de qualquer professora matriarcal que eu havia antipatizado em minha juventude, mas eu a agradeci cordialmente, permitindo a admiração que sentia por ela – por todas elas, togadas e descalças e proibidas: magníficas foi a palavra que saltou à minha mente – aparecer. Sua face pareceu suavizar-se por um instante, antes que ergue-se o braço imperioso e apontasse o caminho acima.

Eu acenei e segui, sem precisar me voltar para saber que elas permaneciam em uníssono no caminho para me observar. Eu podia sentir seus olhos perfurando minha nuca.

As brumas espiralavam próximo de mim agora, fria e pegajosa, e isso parecia mais negro entre as árvores. Estranhamente meu livro pareceu brilhar em minha mão.

Eu segui, até que os largos passos me levaram para fora das brumas e da escuridão, para uma suave luz do sol e pássaros cantantes e uma floresta por trás dessa muralha de copas de sombra. Lá havia uma pequena cabana de pedra. Ela era coberta com colmo e tinha as janelas fechadas, não havia nenhum filete de fumaça subindo de sua chaminé. Ela parecia velha, com musgos e ramos de ervas crescendo por entre seus blocos de pedra manchados de líquen.

Eu nunca havia visto esta cabana antes em qualquer dos meus devaneios, mas o caminho não levava a qualquer outro lugar. A velha parede de pedra encarava-me exibindo uma única porta que se abriu silenciosamente para o interior à minha aproximação, revelando a escuridão.

Suspiro. Eu não me recordo de escrever um Reinos no qual até mesmo as construções pareciam sentir a necessidade de impressionar, mas… eu permaneci à soleira com mas confiança do que realmente sentia, ondulando meu Silverfall [Queda Prateada] diante de mim como se fosse um feixe de ingressos em busca de um porteiro ausente.

“Sim, sim, nós lemos isto”, uma voz feminina de baixo tom disse, disfarçando divertidamente tons levemente roucos. “Entre e seja bem vindo, de modo que a porta possa fechar.”

Obedientemente eu dei dois firmes passos para dentro da escuridão, que prontamente caiu como uma cortina para me deixar rapidamente diante de uma mulher com cabelos cor de prata encostada em um pilar central, os braços cobertos pela armadura, cruzados sobre o tórax, a cerca de um palmo de distância à minha frente.

Dove Garra de Falcão, exatamente como eu a imaginara. Apenas maior.

“Ahn”, eu disse brilhantemente, “olá”.

“Você vem no momento oportuno”, esta bem formada guerreira saudou-me, sua voz profunda tão seca quanto o da areia do deserto. Esta não era a voz que havia me recebido à porta, e eu olhei em volta rapidamente.

“Sim, estamos todas aqui”, Dove confirmou, uma mão de dedos longos apanhou Silverfall [Queda Prateada] de meu aperto e lançou-o girando pelo aposento, onde uma mulher de manto negro fez um gesto rápido e o congelou no ar, para girar e tombar suavemente em um local.

Engoli em seco. Todas as Sete famosas Irmãs, ainda mais belas do que eu havia imaginado. Altas e destemidas à minha volta, caminhando suavemente… muito próximo e muito real.

Eu tentei um sorriso, mas o senti caindo de minha face. Seus olhos eram… muito sábios, muito conhecedores. Como todas as minhas tias e avós juntas, vendo diretamente através de mim e sabendo exatamente quem e o que eu era. Eu disse a primeira coisa que me veio a cabeça.

“Eu… eu sinto com se eu devesse ajoelhar”.

Estrelas acima, mas elas eram belas.  A mulher de manto negro – que podia apenas ser A Simbul, A Bruxa-Rainha de Aglarond – sorriu finamente. Meus olhos foram capturados e retidos por um despido e bem formado ombro, esquadrinhando pelos farrapos de seu vestido peles de animais. Por que ele era pouco mais que trapos, e a deixavam desnuda em toda sorte de lugares…

“Olhe dentro de si mesmo”, ela disse quase enfadonhamente. “Homem”.

“Como Alassra ia dizer, antes que você… aham… fizesse o uso desembaraçado de seus olhos”, disse a delgada drow com um murmúrio, “você pode fazer mais do que ajoelhar-se por todas as bobagens que escreveu sobre nós”. Qilué arqueou um longo dedo, escuro como a meia-noite, e o rodopiante Silverfall [Queda Prateada] foi subitamente envolto na crepitação de chamas azuis e púrpura.

Eu abri minha boca em protesto, mas tudo o que saiu foi um tipo de chiado.

“Agora, agora, ele já está assustado o bastante”, uma voz como um mel tenramente aquecido disse de perto atrás de mim. “Bobagens elas podem ser, mas elas possuem uma graça redentora, pois todas são verdade”.

Eu voltei-me, certamente. Para ver dentro dos olhos de Storm Mão Argêntea, flanqueada por duas de suas irmãs – Laeral e Alustriel. E foi Alustriel quem falou, “De fato, mas tão seletivamente redigido que é quase uma verdade mentirosa, mostrando apenas um vislumbre disso e um vendaval daquilo, como os ‘vídeos de rock’ dos quais aquelas crianças estavam rindo no ultimo verão, para dar uma impressão muito distorcida de quem somos, e o que fazemos”.

“Honráveis damas”, gaguejei, “Eu… eu nunca clamei estar fazendo algo mais que ficção. Ademais, eu tentei mostrá-las como realmente são, realmente eu fiz, e…“.

“Obteve sucesso admiravelmente”, Laeral disse desdenhosamente, “especialmente a parte do ‘show’. Por que alguém que lesse aquele trabalho imortal de profunda literatura se convencerá que passamos todo o nosso tempo despidas, ou fazendo amor, ou ataviando-nos como dançarinas exóticas?”.

“Bem, irmã, mas é o que fazemos”, Alustriel disse gentilmente, fazendo um gesto com um braço bem formado que atraiu meus olhos indefesos para brilhos intensos por debaixo de seu manto, que suavemente iluminava as ainda mais suaves curva de seus encantos…

“Oh, Lustra, pare com isso”, Dove disse severamente. “O pobre homem ainda não sabe para onde olhar. Olhe para ele, ali trêmulo, pensando que iremos explodi-lo ou transformá-lo em uma rã… depois de rasgar nossas roupas e posarmos todas em volta dele até que seus olhos percam para sempre a habilidade de focalizar, certamente. Apenas humilhe-o por mais alguns momentos, forneça-lhe um penico antes que ele faça o piso umedecer, e deixe-o ir. Há crimes piores que escrever livros fantásticos a nosso respeito, você sabe”.

“Sim”, Storm concordou. “Eu sou a única sobre a qual ele está escrevendo todo um livro, lembra-se? Ainda que este seja tão fantástico e ahn, lascivo quanto este, eu gostei dele. Uma boa leitura, tão logo ninguém acredite que eu seja daquele jeito… e eu não acho que pensem”.

Um longo e forte braço agarrou-me pelos ombros e me pressionou. Seu toque era quente e formigante, e eu temo que… bem, chorei.

Storm colocou-me contra seu corpo como se fossemos estimados amigos posando para uma fotografia, em frente à cabana cheia de suas Irmãs e perguntou, “Bem? Alguém sente uma necessidade verdadeiramente desesperada de mutilar ou açoitar o homem que, por todas as suas faltas, introduziu-nos ao seu mundo?”.

“Este é um crime que a mera mutilação não pode reparar”, disse Qilué friamente.

A Simbul afastou-se dela com olhos cintilantes. “Quão ingrata você pode ser, Irmã? Nós duas, entre todas aqui, deveríamos agradecer este homem por tornar nossa verdadeira natureza e ofício claro para todos! Açoite-o se puder…“.

“Não, não o faça”, uma nova voz disse secamente, à medida que algo fantasmagórico começava a se formar no ar em frente ao meu nariz. “Muitas vezes foi dito o quanto ele aprecia esse tipo de coisa. E após observá-lo secretamente por alguns meses, agora…”.

Syluné!”

“Não soe tão chocada, Lustra. Ou você estava pensando que havia feito de tais jogos um prazer exclusivo, hein?”.

“Certamente que não, Irmã. Mas você, de todas nós, espionando!?”.

“Lustra, Eu estou morta. Espionar é quase tudo que eu ainda posso fazer. A menos que eu me aproprie de um corpo para sentir o gosto do eco fraco e secundário de comer e bater meus cotovelos nos batentes e acariciar…“.

“Sim, sim, sim,” A Simbul rompeu. E então sorriu astutamente. “Então, você tem observado este Ed do Verde Bosque [NR: trocadilho com Greenwood] secretamente por alguns meses, hein? E justo daquele corpo você se apropriou para fazer isto, hein?”.

A cabeça incorpórea e translúcida flutuando à minha frente sorriu, seus cachos ondulantes rodaram suavemente no ar como tentáculos divertidos. “Dele, certamente”.

Repentinamente, eu realmente precisava daquele penico.

“Então”, Storm murmurou, conduzindo o que parecia uma caneca de porcelana de tamanho desproporcional à minha mão e dando tapinhas em meu cinto significativamente, “como sabemos, você não escreveu aquilo, Irmã, apenas pegou este campeão barbado aqui para dar um passeio?”.

Subitamente eu senti como se precisasse de meus medicamentos para o coração mais urgentemente que do penico, e digo mais.

Meu segredo revelado evocou uma onda de risos joviais, e fui tratado como espetáculo das mais belas mulheres que meus olhos já deitaram, gargalhando como marinheiros, curvando-se e agitando-se com jovialidade, e dando tapas em itens da mobília.

“É exatamente assim que me sinto quando leio isto!”, A Simbul gritou, e iniciaram tudo de novo.

“Vá”, disse a voz de Syluné em meu ouvido. “Vá agora. Elas ainda não dominaram a Trama como eu, e então não reconhecem esta minha pequena magia. Ademais, vá enquanto você pode, homem. Como um jornalista de longa data lhe disse, qualquer entrevista da qual você possa fugir é uma boa entrevista”.

Devolvi-lhe o penico – ou tentei devolver – e precipitei-me pela porta.

Minha última visão das Sete Irmas foi Storm mergulhando contra o piso como o mais gracioso jogador de futebol que eu já vi, de modo a agarra o penico a centímetros do chão, prestes a se espatifar contra as lajotas. Ela salvou o penico sem mesmo olhar para ele: seu rosto estava voltado para minha direção, e estava piscando.

Eu não – de todo – saltei de árvores em meu caminho de volta pela trilha, mas eu nunca havia corrido tão rápido em toda minha vida.

Sete sacerdotisas drow passaram como uma mancha. Elas pareciam estar rindo e aplaudindo enquanto eu passava, a rodopiante conflagração de minha infeliz cópia de Silverfall [Queda Prateada] dardejando atrás de mim.

Ah, mais clientes satisfeitos…

Leia mais sobre as Irmãs no romance Silverfall [Queda Prateada] escrita por Ed Greenwood.



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