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Notas de Romance
 
Tributo: Um Conto

Por Elaine Cunningham
Traduzido por Renata Ungaretti; revisado por Ricardo Costa.




Quando estávamos escrevendo o romance City of Splendors, Ed Greenwood e eu discutimos a possibilidade de revisitarmos o passado de Águas Profundas, não com flashbacks comuns mas com “contos heróicos” contados por Taeros Falcão do Inverno. Ao longo da história, Taeros, um jovem da nobreza dos mercadores de Águas Profundas, estava trabalhando secretamente em Profundas Águas, uma coleção de histórias recontando as lendas e heróis de Águas Profundas, que ele tencionava presentear a Azoun V, o rei infante de Cormyr.

Mas o tempo e as restrições da quantidade de palavras se mostraram inimigos mortais da sua idéia. Apesar das referências feita a Profundas Águas no romance, nenhum dos contos de Taeros estão incluídos. Aqui está a história que ele escreveu enquanto esperava pela chegada de seus amigos em seu novo retiro em Distrito das Docas. Fala de uma lenda muito conhecida sobre um famoso marco de Águas Profundas.

* * * * *

Há muito tempo atrás, muitas gerações antes dos homens e elfos erguerem uma pedra nas Terras dos Vales para começar novamente a contagem dos anos, pequenos grupos de bárbaros construíram um lar ao lado de um porto de águas profundas. Era um bom lugar, com caça abundante nos bosques e florestas circundantes. Havia tantos peixes nos mares que eles mal cabiam todos na água. Na verdade, durante cada lua cheia do verão, pequenos runchions prateados se arrastavam para a praia para botar ovos na areia. Pegar estes rápidos e escorregadios peixes era considerado ótima diversão, uma ocasião para alegria e canções.

Sima era uma jovem alegre, redonda com uma fruta e marrom como um pássaro. Mas sua irmã, Erlean, era alta e clara, com o cabelo da cor de trigo vermelho, e foi Erlean que chamou a atenção de Brog, o chefe da tribo. As lágrimas dele foram amargas quando foi jogada a sorte lote para conhecer o tributo a ser pago ao dragão e a pedra que caiu mais perto do altar de sacrifício era mais vermelha do que trigo vermelho.

Naqueles dias, as terras entre os mares eram governadas por dragões, e todo verão eles vinham exigir os tributos: uma jovem, morta na pedra de um altar, e levada para servir ao paladar de algum rei dragão distante. Cada ano o líder jogava um punhado de pedras perto do altar: pedrinhas de rio brancas e vermelhas, pedras negras de carvão, pedaços de âmbar dourado de todas as cores, do amarelo mais pálido ao marrom. A vontade dos deuses decidia qual pedra cairia mais perto do altar. A jovem que tivesse o cabelo da cor mais próxima da cor da pedra de má sorte seria sacrificada naquele verão.

Nenhuma jovem da aldeia, exceto Erlean, podia se gabar de ter cabelos da cor de trigo vermelho.

Tão forte era o amor de Brog, o líder, por Erlean que ele não queria desistir dela. Com palavras negras e promessas suaves ele convenceu o tanoeiro da aldeia para sua causa. No dia da primeira lua cheia do verão, a noite em que os runchions corriam e os dragões se banqueteavam, Brog proclamou um banquete. Foi uma coisa fácil para o tanoeiro adicionar ao hidromel ervas que fariam com que os aldeões caíssem no sono. Todos beberam, com a exceção de Brog e do tanoeiro, e quando Sima dormiu, eles esfregaram suco de cereja em seu cabelo até que ficasse mais vermelho do que trigo vermelho, e a amarraram na pedra do altar.

Os aldeões acordaram no luar forte da lua cheia com o trovejar de asas quando dois dragões vermelhos vieram para cobrar o tributo: um dragão guerreiro conhecido como Hysta'kiamarh e sua companheira, uma sacerdotisa cujo nome não era pronunciável por nenhuma língua humana. Eles eram apavorantes, e foi grande o medo de Sima quando ela se viu sobre o altar no lugar de sua irmã.

“Eu fui traída!”, ela gritou. “Eu não sou a escolhida para o sacrifício! Outra deveria morrer, e não eu!”

O dragão guerreiro olhou para ela e sua enorme boca com dentes enormes se curvou em um sorriso terrível e traiçoeiro.”Eu sempre achei que um pouco de traição dá um gosto apimentado em um humano. Nomeie os que a traíram, coisinha barulhenta, e ficará livre.”.

“Jure,” Sima insistiu. “Jure o mais sagrado juramento que conhece e diga que aquele que fez com que eu fosse amarrada aqui morrerá em um lugar!”.

“Pelos quatro ventos, pelo próprio Hálito de Tiamat, assim será!”, entoou Hysta'kiamarh.

Uma vez feito seu juramento, o dragão estendeu uma garra e cortou as cordas que amarravam as mãos de Sima. Ela levantou o braço e estendeu um dedo acusador, passando-o em um caminho mortal através do grupo de pessoas de Profunda Água iluminado pela lua. O medo estava em cada um dos rostos familiares, mas brilhava mais forte nos olhos daqueles que a haviam traído.

Sima viu o que estava nos olhos de seu pai e seu chefe, e por um momento ela hesitou, tremendo. Então ela girou sua mão até o alto para apontar para o dragão vermelho maior.

“Foi você, grande Hysta’kiamarh”, ela gritou, “foi você quem ordenou este tributo, que me colocou neste altar! Mãos humanas ataram os nós, mas as cordas que nos amarram a todos estão em seu poder. Pela união antiga entre o vento e a palavra, é Hysta’miamarh quem deve morrer no lugar de Sima!”

Com essas palavras, vapor saiu furiosamente das narinas do dragão, e chamas saltaram e queimaram dentro dos olhos amarelos de Hsta’kiamarh. Sibilando sua raiva pela insolência da garota, ele ergueu suas garras para o golpe mortal.

Imediatamente um vento terrível rugiu vindo do mar. Uma monstruosa nuvem escura na forma de um dragão veio em direção aos aldeões curvados de medo como uma tempestade assassina. Passou impetuosamente por Profunda Água, para depois girar no céu e circular de volta com intenção fatal.

O dragão renegado tirou os olhos daquela visão medonha apenas para mandar um olhar inquiridor penetrante a sua companheira.

Ela inclinou a cabeça com chifres em um aceno solene. “O Hálito de Tiamat”, a sacerdotisa confirmou. “Assim como foi jurado, será. Pela palavra e pelo vento, a sua vida pela da garota.”

E enquanto ela falava, a nuvem em forma de dragão desceu e engolfou Hysta’kiamarh. Nuvem e dragão então subiram em direção à lua que tudo observava. Desapareceram juntos, bem acima de Profunda Água, em um estrondo que dividiu o céu como o maior trovão jamais ouvido. Uma chuva de escamas de dragão caiu com estrondo na lama batida de Profunda Água, fazendo com que os aldeões fugissem em pânico.

Mas o luar curioso logo conseguiu achar um caminho pelo redemoinho de pó, e os aldeões vieram depois. Todos viram algo impressionante: as escamas do dragão haviam caído, formando um elaborado círculo em volta do altar de pedra, sobre o qual Sima estava de pé, desamarrada e ilesa. O dragão-clériga e curvou-se, saudando-a como se ela fosse a filha de um chefe.

“O acordo foi cumprido, o tributo está acabado”, disse o dragão, sua voz ondulando através da praia e do mar. “O que os guerreiros de Profunda Àgua não conseguiram através da força das armas, uma garota obteve através de sua inteligência e lealdade”. Então a dragão-fêmea lançou-se para os céus e os deixou.

Os aldeões estavam maravilhados, e então, juntos, ficaram de joelhos frente à donzela que os havia salvado.

Sima desceu do altar e pegou com uma mão seu pai e com a outra Brog, pretendente de sua irmã. Ao erguê-las, ela disse alegremente, “A lua está cheia, e os runchions logo voltarão ao mar. Só porque os dragões não podem comer, não é motivo para nós não comermos!”

O povo de Profunda Água desceu para as areias alegremente. Eles perseguiram os peixinhos que fugiam com muitas brincadeiras e risadas, até que a lua se retirou para o seu sono do dia ao som de canções felizes e o cheiro bom de assado de runchion.

Até hoje, o mosaico de escamas de dragão pode ser visto na Praça da Virgem, mais duro do que qualquer pedra. Graças a Sima, nunca mais os dragões do Norte exigiram um tributo de sangue do povo de Águas Profundas.

* * *

Para ler mais histórias de Elaine, veja The Best of the Realms, Book III: The Stories of Elaine Cunningham.



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