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Histórias
 

No Rastro do Jalavar Lynnur

Descrita por Ricardo Costa.
Baseada no jogo mestrado por Ivan Lira.

Personagens principais da aventura:

Os Humanos: Arthos Fogo Negro [Torrellan Millithor]; Magnus de Helm [Marckarius Millithor]; Sigel O'Blound (Limiekki) [Dariel Millithor]; Danicus Gaundeford [Glemoran Millithor]. Os Elfos: Mikhail Velian [Narcélia Millithor]; Kariel Elkandor [Karelist Millithor]. O Grimlock: Loft Moft Toft Iskapoft. O Halfling: Bingo Playamundo [Quertus Millithor].

No Rastro do Jalavar Lynnur

A Fuga

      Arthos, Kariel e Limiekki estavam novamente reunidos com os três integrantes do Fogo Lunar: Sorn, Chessinstra e Lesaonar. Havia mais um entre eles: o soldado capturado de um grupo que os espreitava. O drow inimigo estava amarrado em uma cadeira e o ódio que sentia irradiava de suas pupilas vermelhas.

      “Seus amigos estavam nos procurando. O que queriam conosco?”, perguntou o arcano da Comitiva da Fé, Kariel.

      O drow olhou para o mago e simplesmente sorriu, sem nada dizer .

      “Quem é você? Responda a pergunta!”, bradou Lesaonar, rudemente finalizando com um soco no rosto do interrogado.
      “Vamos, seu verme!”, complementou Arthos. “Se acha que seu segredo o protege de uma represália de sua Casa, saiba que, se não falar, poderá sofrer um destino muito pior em nossas mãos!”.
      “Vocês não sabem a teia que Lolth está tecendo para vocês! Não deviam ter recusado a proposta de Rizzen. Ele leva as coisas muito a sério. Libertem-me e eu posso melhorar a situação de vocês junto a ele!”.
      “O que Rizzen Nanitaran quer conosco?”, questionou Arthos.
      “Ora... já devem saber. Precisamos de aquisições para nossa Casa. Uma guerra se desenrolará em breve e teremos que nos defender. Aceitar o oferecimento de Rizzen seria bom para nós e para vocês!”.
      “Não temos nenhum interesse em sua Casa ou guerra!”, respondeu Kariel.
      “Então são tolos! Rizzen é muito vingativo. Virão outros atrás de vocês. Já sabemos onde procurar!”.
      “Como você e seus colegas podem ter percebido, não somos tão indefesos assim. Deve nos contar algo que justifique o fato de estar vivo até agora!”, disse Arthos.
      “Não tenho mais nada para dizer. Vocês irão se arrepender de ter pisado em Undrek´Thoz!”, ameaçou o guerreiro.
      “Se não tem nada para nos falar, então também não tem mais nenhuma utilidade!”, disse Lesaonar, que, repentinamente, em um ágil movimento, desembainhou sua lâmina e a atravessou no peito do inimigo.
      “Ei! Porque fez isto?”, perguntou Arthos, surpreso.
      “Ele está certo, Arthos”, disse Limiekki, com a voz bastante ponderada. “O drow conhecia nossos rostos e os dos nossos três novos amigos. Se fugisse poderia pôr abaixo nossos planos e o segredo do Fogo Lunar!”, disse, pragmático, o ex-soldado de Forte Zenthil.
      “Maldição! Agora que vocês trouxeram estes espiões para nossa base, teremos que abandoná-la!”, queixou-se Lesaonar, enquanto guardava a espada ensangüentada na bainha.
      “Acalme-se. Eles não tiveram culpa!”, disse Sorn, apaziguando. “Temos um outro local para onde poderemos nos mudar!”.
      “Enquanto a nós, devemos voltar para a torre da Casa Trun'Zoyl'Zl e informar aos nossos amigos o que vocês nos disseram. Montaremos estreita vigilância a Eclavdra!”, disse Limiekki.
      “Como voltarão? Pode haver mais alguns da Casa Nanitarin espreitando os caminhos por onde passaram”, advertiu Chessintra.
      “Iremos por meios mágicos!”, disse Kariel. “Nos transportarei até um local afastado o suficiente das muralhas do Distrito e percorreremos o restante da distância a pé!”.
      “Excelente! Enquanto isto, poderemos formular ações para tentar descobrir a base do Jalavar Lynnur.”, colocou Sorn.
      “Sim!”, afirmou entusiasmada Chessintra , lembrando-se de algo. “Sei de um mago, chamado Divolgh, da Casa Phaundakulzan . Dizem, às escondidas, que ele fez parte do Jalavar Lynnur. Poderíamos ir até o Distrito de Phaundakulzan e criar um engodo: se um de vocês puder me disfarçar como Eclavdra, poderia ir até ele e, quem sabe, descobrir assim a localização da base de operações do Jalavar Lynnur!”.
      “Eu posso fazer isto!”, disse Kariel. “Porém infelizmente só poderei conjurar a magia de disfarce dentro de algumas horas!”.
      “Kariel... então faça o seguinte: fique aqui com Arthos e me transporte para o Distrito de Trun'Zoyl'Zl . Transmitirei as informações para os nossos colegas e vocês ajudam o Fogo Lunar!”, solicitou Limiekki.

      Kariel concordou com a idéia e olhou para Arthos, que acenou positivamente com a cabeça.

      “Está certo! Que assim seja!”, Kariel então executou um ritual de gestos e palavras arcanas e um brilho luminoso tomou conta de Limiekki e, rapidamente, o homem disfarçado de drow foi ficando translúcido, até desaparecer por completo.
      “E agora? O que faremos?”, perguntou Arthos.
      “Temos que sair logo daqui e encontrar este tal Divolgh. O tempo também é nosso inimigo”, respondeu Lesaonar. “Vou á frente, como batedor, para certificar de que não existem mais outros a nossa espreita. Retornarei logo!”.
      “Espere!”, pediu Kariel. “Posso fazê-lo ficar invisível. Será mais seguro!”.

      Lesaonar concordou e Kariel conjurou novo encanto. O drow dos ermos das cavernas desapareceu imediatamente em sua frente.

      “Volto em breve!”, disse com sua voz vindo do nada. “Aguardem!”.

Novo Mistério?

      Magnus, Bingo, Iskapoft e o professor Danicus estavam no quarto coletivo, na torre da Casa Trun'Zoyl'Zl, quando se ouviram as batidas na porta. O paladino abriu a folha de madeira espessa e negra para a entrada do amigo Mikhail, elfo de Evereska e clérigo de Mystra, disfarçado magicamente como a clériga drow Narcélia. Havia terminado o interrogatório com as filhas da Matrona.

      “E então? Descobriu algo?”, perguntou o inquieto Bingo, logo após a porta voltar a ser novamente trancada. A curiosidade do pequeno espelhava a de todos os seus outros amigos.
      “Infelizmente não, Bingo!”, respondeu Mikhail, levemente desanimado. “O encanto que proferi aparentemente não foi o suficiente para revelar a verdade na fala das sacerdotisas. Não houve respostas muito relevantes!”.
      “É uma pena!”, lamentou Danicus. “Porém devemos continuar com os nossos objetivos... procuramos a jóia, mas também devemos destruir o portal. Estive pensando nisto!”.
      “Alguma idéia, professor?”, perguntou Mikhail.
      “Pensei em teletransportar a mim e ao paladino para a sala onde se encontra o portal, a fim de destruí-lo. Escaparíamos usando o mesmo artifício”, disse o veterano Harpista.
      “E o barulho? Magnus vai fazer um bocado de barulho até quebrar aquele arco de pedra!”, lembrou Bingo.
      “Tenho uma solução para isto!”, disse Mikhail, voltando-se para o jovem paladino de Helm. “Com uma prece especial posso transferir a você uma de minhas graças divinas e você será capaz de criar uma área de silêncio em torno do portal! Ninguém irá perceber a sua presença”.
      “Isto deve funcionar!”, colocou Magnus. “E teremos o álibi de não ter saído desta sala. Estou pronto, Mikhail”, disse, por fim, oferecendo-se.

      Então Mikhail promoveu duas demoradas orações e, por fim, tocou Magnus.

      “Concentre-se e o encanto será liberado!”, disse o clérigo, ao fim do ritual.

      O professor e o guerreiro se alinharam e o Harpista executou o sortilégio de transporte mágico mas, para sua surpresa, nenhuma magia aconteceu.

      “Por Mystra! Não funciona! O local deve ser protegido contra intrusão mágica! Devemos pensar em um plano alternativo para entrar naquela câmara!”, disse o surpreso Danicus.
      “Espere... tenho uma idéia! Lembrei-me de um encanto que...”

      As palavras de Mikhail foram interrompidas por um intenso ruído de passos do lado de fora do quarto. Uma agitação inesperada estava acontecendo no corredor. O paladino dirigiu-se para a porta a fim de averiguar, mas antes que tocasse a maçaneta esverdeada de bronze, ouviram-se novamente batidas na madeira! Magnus abriu: era a Matrona em pessoa, ladeada por dois soldados.

      “Mestre das Armas, gostaria de falar com a sacerdotisa Narcélia!”, falou a drow, cujo semblante e a fala pareciam alterados. Seu rosto estava abatido e sua voz era pausada e fraca.

      Magnus gesticulou e Mikhail apareceu em frente à porta, ao lado do paladino.

      “Matrona Jesthflett! O que podemos fazer pela senhora?”, disse o clérigo disfarçado de sacerdotisa drow.
      “O que conversaram com Eclavdra?”, quis saber a líder.
      “Perguntamos sobre a posição dela na Casa Trun'Zoyl'Zl, suas relações com as irmãs e outras questões pertinentes à resolução do mistério que buscamos desvendar.”
      “E o que fizeram depois de interrogá-la?”, perguntou a drow de cabelos longos e prateados, adornados por uma leve coroa dourada.
      “Fui a última pessoa a interrogá-la.”, respondeu Mikhail. “Depois de a liberar, permaneci em meus aposentos por um certo tempo e depois vim ao encontro de meus companheiros para transmitir minhas impressões. Seus sentinelas podem confirmar isto! Mas...porque as perguntas!?”
      “Vou levá-los ao aposento de Eclavdra!”, disse simplesmente a mulher, virando de costas e andando pelo corredor. Mikhail e Magnus a seguiram.

      Seguiram pelos caminhos da torre e subiram uma escada, até uma ala de dormitórios luxuosamente decorada. Caminhavam para a entrada de um quarto, onde havia outros soldados e alguns drows que observavam. Fosse o que fosse, pela expressão no rosto dos presentes, não devia ser boa coisa.

      “Entrem!”, pediu a Matrona, acompanhando os dois forasteiros ao interior do quarto.

      A cena que se seguiu foi a de um cômodo incendiado: móveis queimados, tapeçarias fumegantes e um desagradável odor de fumaça. No chão, um corpo carbonizado. Estava desfigurado, mas Mikhail reconheceu o resto das roupas e objetos de metal: eram idênticos aos da sacerdotisa que havia falado com ele há minutos atrás.

      “Eclavdra está morta!”, disse a Matrona. “O maldito que fez isto enfrentará um suplício inimaginável e pedirá, em vão, para morrer. Espero que possam nos ajudar a encontrá-lo!”, pediu a drow, desejosa de vingança.
      “Lamentamos muito!”, disse Mikhail. “Faremos o possível!”.
Jesthflett então deixou a sala. Logo após, Magnus sussurrou ao ouvido do amigo.
      “E agora? A trama se complica!”.
      “Tem razão. Informe aos nossos amigos. Vou tentar executar uma idéia que tive a respeito do portal!”, disse Mikhail, em tom baixo.
      “Não precisará de ajuda?”.
      “Não, amigo. Aguarde-me!”, disse o clérigo.

      Mikhail e Magnus saíram juntos da sala, mas logo se separam. O paladino retornou para o quarto onde estavam seus outros companheiros, enquanto o clérigo, esquivando-se o máximo possível dos olhares dos drows da Casa Trun'Zoyl'Zl, tentava chegar ao andar térreo da torre.

      Lembrando-se do caminho feito quando haviam visitado o portal, desceu várias escadas. No piso ao nível do solo, procurou até encontrar um pequeno cômodo, provavelmente um depósito vazio, cuja porta estava aberta. Sorrateiramente, entrou e fechou-se. Então, o elfo evereskano concentrou-se e pronunciou uma prece a deusa Mystra.

      Um brilho avermelhado surgiu no piso, formando uma área circular à sua frente. Deste limite, começou a se erguer uma forma, feita de granito e areia, como se brotasse do chão. Era um ser humanóide, alto, de corpo e braços grandes e desproporcionais e feições pouco claras. Em uma voz rouca e inumana, o ser elemental falou.

      “Convocou-me. Aqui estou. Informe o seu desejo!”.
      “Em algum lugar, embaixo deste piso, há uma sala oculta. Dentro dela, um arco de pedra negro. Quero que o destrua!”, ordenou o clérigo.

      O monstro de pedra acenou afirmativamente com a cabeça e mergulhou novamente no chão de onde havia saído. Seu corpo mesclava-se com as rochas do solo e movia-se facilmente por ele, tal qual um peixe nada pela água. Demorou poucos minutos, até encontrar o salão secreto. Identificou então o grande arco de pedra e correu, chocando o seu corpanzil maciço contra o objeto mágico. O encontro não foi suficiente para destruí-lo, mas algo aconteceu. O ataque havia despertado um feitiço oculto e, em um brilho sobrenatural, surgiu na sala o mago Houndaer.

      O arcano da Casa Trun'Zoyl'Zl, em um primeiro momento, assustou-se com a fúria do ser de pedra, que sequer tomou conhecimento de sua presença, prosseguindo na missão que lhe havia sido dada, golpeando incessantemente a pedra, que se partia e rachava. Houndaer então executou um ritual de magia. Ao fim pronunciou em voz alta:

      “Banido!”.

      O elemental da terra desapareceu e o seu corpo tornou-se pó. Havia retornado ao plano de onde havia sido retirado. Houndaer aproximou-se do arco. “Tarde demais”, pensou o mago. A estrutura de pedra havia sido bastante danificada e não haveria mais alternativa de consertá-la. Houndaer então, com um encanto, teletransportou-se, desaparecendo daquele lugar, em uma expressão que mesclava raiva e desconfiança.

A Cúpula dos Desafios

      Lesaonar retornou de sua missão como batedor. Abriu a porta e, desejando ficar novamente visível, cancelou o feitiço que lhe foi lançado, reaparecendo em seguida.

      “Existem três outros soldados da Casa Nanitarin, logo após a saída do túnel. Temos que eliminá-los. Se um deles fugir, poderá complicar a nossa situação!”.
      “É... você está certo”, concordou Arthos. “Mas temos que surpreendê-los de alguma forma, já que eles estão esperando pela nossa saída!”.
      “Posso transportar-nos magicamente para além da entrada do túnel. Enquanto eles estiverem a nossa espreita, atacaremos pela direção oposta.”
      “É um bom plano! Vamos fazer desta maneira, então!”, assentiu Chessintra. Os outros concordaram também.
      “Boa sorte! Que a Dama Escura os favoreça!”, disse Sorn, o mago. “Encontrarei vocês brevemente!”.

      Kariel então executou semelhante encanto aplicado ao mateiro Limiekki, com a diferença que, desta vez, o alvo era ele mesmo e os três outros companheiros de aventura. Após os gestos e palavras, desapareceram da sala rústica escavada na pedra o mago elfo, o espadachim Arthos, e os drows rebeldes Chessintra e Lesaonar.

      Em um átimo, estavam do lado de fora, tendo a imensa caverna como cenário. Localizavam-se próximos à saída do esconderijo e Lesaonar apontou-lhes silenciosamente as silhuetas dos inimigos que se ocultavam em meio as rochas. Chessintra mais uma vez retirou a besta de madeira negra como o carvão que estava presa às costas e nela armou um virote. Procurou apoio em uma pedra mais alta para aumentar a precisão do seu tiro. Pedra traiçoeira era esta, que escorregou, desequilibrando a guerreira e fazendo um leve ruído, mas não tão leve que não pudesse ser notado pelos inimigos.

      “Do outro lado! Preparem-se!”, gritou um dos soldados drows, dando o alarme. Usava, podiam ver, o traje do exército da Casa Nanitarin.

      O desenrolar dos acontecimentos a partir daqui podia ser medido em segundos. Lesaonar retirou seu arco e atirou uma flecha certeira, que atravessou a garganta do alardeador, fazendo-o cair morto. Um dos inimigos partiu na direção do grupo, porém Kariel lançou uma das suas magias mais surpreendentes: apontou o dedo na direção do soldado e um raio prateado de brilho intenso deixou o seu corpo, atingindo o adversário em uma explosão silenciosa. Quando a luz cessou, o drow estava morto. O soldado dos Nanitarin sobrevivente, ao ver o rápido e impressionante fim de seus colegas, desistiu de seus deveres, e pôs-se a correr desenfreadamente, rumo às paragens escuras do Subterrâneo. Teria conseguido fugir, porém um virote de besta preciso, disparado por Arthos, o fez tombar ao chão.

      “Pela Deusa!”, exclamou Chessintra, após o término da batalha. “Que mágica foi aquela, mago? Nunca vi nada assim!”.
      “Foi uma dádiva... uma magia muito especial que, por felicidade, tenho acesso.”, disse Kariel apenas, sem fornecer maiores e longas explicações.
      “Então será esse o nível dos soldados de Rizzen? Se for assim, acho que não temos muito com o que nos preocupar!”, falou Arthos, fazendo troça.
      “Não subestime os inimigos, Arthos! Tivemos sorte de serem poucos. Ajudem-me com os corpos. Vamos encobrir os indícios do combate!”, comandou Lesaonar, cauteloso.

      Os aventureiros esconderam os corpos dos inimigos e o drow rastreador moveu as pedras e apagou as pegadas que existiam em um trecho arenoso do piso irregular. Terminado o trabalho, rumaram na direção de Mezrylornyl. De lá, tomaram um lagarto e seguiram para o Distrito de Phaundakulzan, atrás da pista levantada por Chessintra. Duas horas depois de partirem, avistaram as muralhas cinzentas e altas que cercavam o Distrito. Passaram pelo imenso portão e avistaram os contornos daquele centro. Seus prédios eram um pouco diferentes dos avistados anteriormente, com formatos bastante recortados, que terminavam em telhados pontiagudos como adagas, ou em espirais que apontavam para o alto. Havia muitos homens e algumas mulheres em trajes de tecido negro e púrpura, alguns portando cajados, anéis, bastões e outros objetos característicos de conjuradores. Viram também uma feira com muitos itens exóticos, que Kariel percebeu como sendo componentes para rituais mágicos. Era sem dúvida, o Distrito da Magia. Desceram do lagarto e deixaram o prédio que servia de terminal de transporte. Estavam em meio ao movimentado centro urbano.

      “Onde vamos encontrar este tal Divolgh, Chessintra?”, questionou Kariel.
      “Existe um lugar, a Cúpula dos Desafios, o local onde os conjuradores combatem. Ele é um dos arranjadores destas lutas. Devemos segui-lo, até que surja uma oportunidade de me infiltrar disfarçada!”, respondeu a mulher.
      “Ou, se a própria Eclavdra aparecer, podemos segui-la até o covil do Jalavar Lynnur!”, sugeriu Lesaonar.
      “Então devemos ir até essa arena para procurá-lo?”, quis saber Arthos.
      “Exato!”, respondeu Chessintra. “Porém não podemos ir nestes trajes. Precisamos comprar outros, no estilo que os habitantes de Phandalkuzan usam, para passarmos despercebidos na multidão. Vamos procurar uma loja de vestimentas”.

      Os forasteiros andaram pelas ruas arenosas e largas do Distrito, até encontrarem, entre as construções cinzentas, um comércio de roupas. Entraram, escolheram os trajes e pagaram caro por eles. Ficaram bastante diferentes, por conta das luxuosas roupas de nobres que haviam adquirido, a exceção de Arthos, que não abriu mão de usar um chapéu de abas largas de espadachim, por mais argumentos contrários que o amigo Kariel lhe fornecesse. Em seguida, guiados por Chessintra, rumaram para a Cúpula dos Desafios.

      Ao longe, os quatro avistaram a grande e impressionante construção, que dominava uma praça para qual convergiam diversas ruas. A Cúpula era um imenso anfiteatro coberto com uma enorme redoma negra e cristalina. Pelos arcos abertos que sustentavam o edifício de vários andares, passavam centenas de pessoas e podiam-se ouvir alguns aplausos dos espectadores. Pagaram a um grupo de drows armados que controlava a entrada e rumaram por escadas para a arquibancada. Havia centenas de drows acomodados nos assentos de pedra e, no centro da arena, dois magos duelavam, o que desviou a atenção de Kariel por alguns segundos. O arcano tentava descobrir os feitiços que estavam preparando, quando Chessintra interrompeu a observação do elfo, batendo-lhe no ombro e apontando discretamente para alguém que estava em uma tribuna especial e olhava com atenção o combate.

      “Ele é Divolgh!”, disse Chessintra em voz baixa. “Vamos nos separar e vigiá-lo!”.

      Os infiltrados se espalharam em meio à multidão, mirando sempre o drow muito robusto, que ostentava certa idade, e que bebia enquanto observava atentamente o espetáculo. As lutas mágicas, pelo que puderam observar, não eram fatais. Kariel notou que as magias conjuradas haviam sido modificadas para atenuar os efeitos danosos. A Cúpula do Desafio era muito mais uma demonstração de técnica do que de força.

      Alguns minutos depois, Chessintra gesticulou e Kariel e Lesaonar perceberam. Arthos, distraído com uma bela maga que usava um vestido extremamente decotado, não viu a drow do Fogo Lunar indicar uma figura feminina que rumava para a ala das tribunas. O rosto já era bastante familiar à Comitiva: Eclavdra Trun’Zoyl’Zyl.

      Tentaram se aproximar, mas a filha adotiva da Matrona da Casa Trun’Zoyl’Zyl entrou na área restrita e desapareceu das vistas dos espiões. Chessintra então chamou seus companheiros, que se reuniram para traçar os próximos passos.

      “Ela deve estar nos escritórios dos contratantes, onde não temos acesso!”, falou Chessintra em um sussurro.
      “Vigiaremos então a saída da arena. Ela terá que passar por lá mais cedo ou mais tarde!”, sugeriu Lesaonar.

      E assim fizeram. Todos foram para o lado de fora da Cúpula do Desafio e aguardaram ante os grandes portões do edifício. Depois de uma hora de espera e observação, viram a moça deixar o anfiteatro em meio a multidão. Puseram-se a seguí-la. O grande número de pessoas nas ruas fez com que a perseguição não fosse percebida. A mulher entrou em uma taverna, de nome “Vinho Negro”. Lesaonar, porém, advertiu o grupo.

      “Não devemos entrar! Se, por acaso, ela desconfiou de algo, ao entrarmos na taverna ela terá a certeza de que foi seguida. Devemos nos posicionar e aguardar a sua saída!”, disse o rastreador do Subterrâneo!”.

      Ficaram então observando. Kariel e Lesaonar posicionaram-se próximos à porta principal, enquanto Arthos e Chessintra aguardavam nos fundos. Onde os dois primeiros estavam, havia uma janela pela qual era possível observar a mesa onde a sacerdotisa rebelde havia sentado. Eclavdra não estava só. Junto com ela havia um drow de cabelos curtos, que usava um manto cinzento. Conversaram por cerca de quinze minutos, quando o interlocutor da drow levantou e parecia tomar a direção da porta.

      “Irei segui-lo!”, disse Kariel a Lesaonar. “Fique aqui para o caso de Eclavdra sair!”
      “É melhor que eu vá, mago. Sou um rastreador!”, respondeu o integrante do Fogo Lunar.
      “Isto pode lhe dar vantagem nos ermos, mas eu posso ficar invisível, o que será útil para segui-lo pela cidade sem que ele me perceba!”, respondeu o arcano.
      “Não pode tornar-me invisível, como fez antes?”, perguntou o drow.
      “Não desta vez. Preciso de tempo para outra daquela magia!”, disse Kariel.
      “Está bem, então! Estarei o aguardando aqui!”, falou Lesaonar, concordando.

      Kariel dirigiu-se rapidamente para um canto deserto entre as construções e acionou o seu elmo da invisibilidade. Viu o alvo deixar a taverna e colocou-se a segui-lo. O drow era astuto e desconfiado: atravessou ruas, entrou em becos, olhava vez ou outra para trás. Por fim, deixou o Distrito pelo portão que existia ao sul, rumo à paisagem deserta. Kariel o seguiu por mais meia hora, porém acabou perdendo o rastro em meio à escuridão. Mas o Dileto de Mystra havia prestado bastante atenção nos caminhos e saberia guiar Lesaonar até o local, na esperança de que ele conseguisse rastrear o misterioso indivíduo. Tornou-se novamente visível e, retornando à porta da Vinho Negro, reencontrou o drow que o esperava, como o prometido.

      “E então? Algum resultado?”, quis saber Lesaonar.
      “Ele atravessou um dos portões e seguiu a pé rumo ao sul. Perdi o rastro, mas posso conduzi-lo ao último local onde o vi!”, relatou Kariel.
      “Será difícil segui-lo rastreando. De qualquer forma, não devemos fazer isto agora. Vamos encontrar Arthos e Chessintra. Eclavdra retornou para a Cúpula. Eles estão nos esperando nas proximidades da entrada!”.

      Seguiram então os dois na direção da grande arena dos magos para reencontrar os companheiros.

Antes que Surja a Desconfiança

      O sortilégio de Kariel fez Limiekki aparecer à cerca de um quilômetro das muralhas do Distrito de Trun’Zoyl’Zl, próximo à margem da estrada que levava aos seus portões. Felizmente, não havia ninguém nas proximidades e o mateiro pode seguir calmamente. Penetrou muralha adentro, atravessou a cidade, percorreu um túnel e uma ponte, e novamente entrou na Torre da Casa, onde vivia a elite e a Matrona, identificando-se à medida que encontrava sentinelas. Subiu escadas e caminhou por alguns corredores. Por fim, bateu a porta do quarto dos companheiros e os reencontrou.

      “Ufa! Bom revê-los... tenho algumas novidades!”, disse o mateiro aos amigos, que estavam todos reunidos.
      “Onde estão Arthos e Kariel?”, quis saber de imediato o paladino Magnus.
      “É uma longa história”, disse o mateiro, sentando-se em uma das camas. “Eles estão com um grupo rebelde, chamado Fogo Lunar. São seguidores de Eilistraee que desejam a convivência pacífica com as raças da Superfície e que são contrários a Lolth. Eles nos informaram que existe um outro grupo, chamado Jalavar Lynnur. São representantes da antiga Casa Drezz'Lynur. E adivinhe quem foi vista tempos atrás conversando com um dos membros do grupo? Eclavdra! Temos que ficar de olho nela!”.
      “Acho que é tarde demais para isto!”, comentou Magnus.
      “Como?!”, estranhou o homem de Forte Zenthil.
      “Fomos chamados pela Matrona, Limiekki. Houve um assassinato. Eclavdra está supostamente morta e uma sacerdotisa desapareceu”, informou o clérigo, desanimado. “Porém, considerando estas informações, a morte de Eclavdra e o sumiço da tal sacerdotisa parecem-me agora muito convenientes”.
      “Sim! Um engodo, por certo. Ela pode ter matado alguém para simular a própria morte!”, exclamou o professor Danicus, em uma dedução. “As pessoas não costumam suspeitar dos mortos!”.
      “Neste caso, ela já está longe daqui e deve ter levado consigo a jóia que aciona o portal!”, concluiu, o mateiro Limiekki.
      “Então temos que sair daqui, e rápido. Se o portal está destruído e a jóia não está aqui, não há motivos para nossa permanência. Somente ficaríamos expostos aos olhos dos Trun’Zoyl’Zl a troco de nada. O tempo será nosso inimigo”, disse Magnus, veemente.
      “Tá certo, Magnus, mas como podemos cair fora daqui sem que ninguém nos veja?”, perguntou Bingo.
      “Magia não irá funcionar! Um mago chamado Sorn, do Fogo Lunar, disse que não se pode sair daqui usando magia”, informou Limiekki. “Se Eclavdra sumiu sem que ninguém a visse, certamente usou alguma passagem secreta”.
      “Faz todo sentido!”, disse o professor Danicus.“Temos acesso irrestrito ao castelo. Vamos nos aproveitar disto: nos dividiremos e procuraremos esta passagem. Sugiro começarmos pelo térreo!”.

      A sugestão foi acatada e os heróis desceram as escadas da labiríntica torre. Iniciaram a busca pelo santuário privativo da Casa Trun´Zoyl´Zl. Não havia ninguém no templo: a Matrona havia decretado um toque de recolher extensivo às sacerdotisas de sua Casa, temerosa de algum outro acontecimento funesto. Os integrantes da Comitiva então se espalharam e começaram a esquadrinhar as paredes e móveis do salão principal e de quatro outros cômodos que a ele se ligavam.

      Assim passaram cerca de uma hora, até que o professor Danicus chamou seus colegas. Estava em uma espécie de vestiário. Os aventureiros se reuniram em volta do Harpista veterano.

      “O fundo deste armário é falso. Pude perceber, através de uma magia, que há uma porta secreta, mas não pude encontrar o mecanismo que a faz abrir!”, disse o acadêmico aventureiro.
      “Deixe comigo, professor! Eu procuro!”, ofereceu-se Bingo, confiante em suas habilidades.

      O pequeno meteu-se no armário, olhou, mexeu e analisou. Pegou um arame e o enfiou em cada buraco ou fresta. Alguns minutos depois, anunciou, desanimado, para a platéia de amigos ansiosos.

      “Nada. Não consegui achar nada!”.
      “A porta pode ser acionada de outro lugar, ou possuir um mecanismo mágico, ativado por uma palavra específica!”, supôs Mikhail.
      “Bingo... conheço uma magia que pode tornar seu corpo como fumaça. Você poderia passar pelas aberturas entre as pedras, se materializar e tentar encontrar o mecanismo pelo lado de dentro!”, sugeriu Danicus.
      “Hummm... e se eu não achar? Como é que vou sair?”, perguntou o pequeno.
      “Tem razão... seria um risco muito grande para você! Dificilmente você conseguiria!”, disse Limiekki.
      “Ei... Também não é assim! Sabe... posso tentar. Se não conseguir sair, vou procurar onde a tal passagem vai levar! Vamos lá, professor!”
      “Está bem, pequeno! Pode desativar os efeitos da magia quando desejar! Boa sorte!”.

      Danicus executou uma seqüência de gestos e proferiu algumas palavras estranhas. Aos poucos, o corpo de Bingo ficou etéreo, gasoso e translúcido, como se fosse um fantasma. O halfling com aparência de drow então foi para o fundo falso e começou a se infiltrar pelas minúsculas aberturas entre as rochas da parede, até que seu corpo todo desapareceu. Depois de alguns minutos de silêncio, ouviu-se novamente a voz quase infantil do companheiro da Comitiva de dentro da passagem.

      “Parece que achei alguma coisa!”.

      Ouviu-se um rangido e o fundo do armário abriu-se, mostrando um corredor escuro e o halfling triunfante. Ao mesmo tempo, uma pedra afundou em uma parede próxima. Era a chave da porta secreta.

      “E então? Vamos?!”, perguntou o pequeno Bingo, que agora voltava a sua consistência normal.
      “Antes pretendo falar com a Matrona! Vamos avisá-la de nossa suspeita quanto a Eclavdra!”, sugeriu Mikhail.
      “Porque faríamos isto?”, perguntou Limiekki, sem entender.
      “Talvez o nosso amigo tenha razão!”, disse Danicus a Limiekki. “Assim toda a guarda ficará de prontidão e atenta a Eclavdra. Ela não se atreverá a retornar e se o fizer, será pega e saberemos o seu paradeiro e o da jóia!”.
      “Isto! Depois iremos embora daqui!”, completou o clérigo de Mystra. “Magnus e professor Danicus... podem vir comigo?”.
      “Claro!”, respondeu o paladino do Deus Guardião, acompanhado de um aceno afirmativo do Harpista veterano.
      “E a gente?”, perguntou Bingo.
      “Ficamos no quarto até vocês nos chamarem. Depois caímos fora daqui!”, respondeu o mateiro Limiekki.

      Acertados, Bingo pulou de dentro da abertura da parede, indo novamente para o vestuário do templo. Fez uma leve pressão o tijolo que havia se movido e ele voltou ao seu lugar, assim como a parede que ocultava a passagem. Enquanto Bingo e Limiekki voltavam para o quarto coletivo, Danicus, Magnus e Mikhail rumavam para a sala real da Casa Trun´Zoyl´Zl.

      Os três últimos alcançaram a pesada porta do salão, que estava guardada por cerca de dez soldados, muito bem armados, número muito superior ao que havia quando chegaram, o que refletia o tamanho das preocupações da líder da casa drow. Mikhail pediu uma audiência e um dos sentinelas entrou na sala. Em seguida, retornou, abrindo-lhes passagem. Viram novamente a Matrona Jesthflett sentada ao trono. Com ela estavam a filha Baltana, o mago da Casa, Houndaer e Jeggred, o guerreiro Mestre das Armas.

      “Narcélia Millithor! Temos fé em Lolth de que a senhora traga algo de novo sobre este momento terrível que estamos vivendo!”, disse a líder.
      “Senhora Matrona...”, iniciou Mikhail, após inclinar-se respeitosamente. “Trago suspeitas, porém ainda não são provas!”.
      “Digam-me suas suspeitas, então”, continuou a mulher.
      “Acreditamos que sua filha Eclavdra forjou a própria morte, colocando o corpo da sacerdotisa desaparecida para encobrir o seu rastro. Provavelmente, também deve ter roubado a jóia!”.

      Um certo silêncio se fez. Jesthfleet olhou para Houndaer, mas foi Baltana que se manifestou.

      “Eles devem ter razão, minha mãe! Ela era uma forasteira! Nós, suas filhas verdadeiras, não teríamos porque matá-la e nem envergonhar nossa Casa!”.
      “Jeggred! Eclavdra passou pelos sentinelas da Fortaleza ou os da ponte?”, perguntou a líder.
      “Não, minha senhora!”, respondeu o guerreiro. “Se houvesse feito, teria sido reportado!”.
      “Então ela deve estar escondida em algum lugar por aqui. Ordeno uma busca imediata em todos os cômodos. Leve os Millithor consigo! Se encontrar Eclavdra, tragam-na imediatamente a minha presença!”.

      Os três agentes secretos da Comitiva seguiram Jeggred e iniciaram uma infrutífera busca que durou cerca de duas horas. Se infrutífera para encontrar a drow assassina, útil para conhecer os cômodos da Fortaleza. Entraram em todos os lugares, exceto os aposentos privativos da Matrona, de suas filhas sacerdotisas e do Mago da Casa. Estes foram vistoriados somente pelos militares. Retornaram para a sala do trono e à presença da líder dos Trun´Zoyl´Zl.

      “Não encontraram nada?!”, disse Jesthfleet Trun´Zoyl´Zl. “Esta situação está fora de controle. Faremos uma reunião no próximo ciclo para discutir ações!”.
      “Até lá, continuaremos investigando!”, disse Mikhail, na pele da sacerdotisa Narcélia Millithor.

      Depois de uma vênia, deixaram a sala. Enquanto percorriam os corredores em direção aos quartos, os três colegas conversavam em sussurros.

      “Não acho conveniente irmos para este reunião!”, colocou Magnus.
      “Não iremos. Acho que devemos ir embora imediatamente!”, colocou o professor Danicus.
      “Concordo! Vamos pegar nossas coisas e chamar os outros! Sairemos daqui agora!”, afirmou Mikhail.

      Os três chegaram no quarto, conversaram rapidamente com os colegas e, juntos, começaram a arrumar a bagagem para a fuga. Preocupado, Bingo colocou uma questão, enquanto olhava para sua mochila.

      “Chamaremos atenção andando com estas mochilas e, sem querer ofender, com Iskapoft nestes corredores!”
      “Bem... posso nos transportar por magia!”, disse Danicus.
      “Professor... mas o mago do Fogo Lunar disse que não há como fugir da fortaleza usando feitiços!”, observou Limiekki.
      “Não vamos sair, vamos somente até o templo, aqui dentro mesmo. De lá continuaremos com o plano da passagem secreta! Se o local não for protegido com uma contingência que anule o transporte mágico, pode funcionar!”.
      “Ora! Então vamos tentar!”, disse Magnus paladino.

      O grupo se colocou arrumado a frente do arcano Harpista. Danicus gesticulou e proferiu palavras arcanas e logo em seguida, Magnus, Bingo e Limiekki desapareceram. O professor repetiu o ritual e, desta vez, ele, Mikhail e Iskapoft sumiram do quarto, para aparecerem ao lado de seus companheiros, no quarto-vestiário, anexo ao templo particular da elite da Casa Trun´Zoyl´Zl. Bingo pressionou o mesmo tijolo de antes e a passagem abriu-se. Limiekki acendeu uma das lanternas que carregavam e foi á frente. Quando entraram, a porta secreta novamente fechou-se, Mikhail, que seguia por último, por precaução, pronunciou uma prece especial a Deusa da Magia e o vão da porta secreta preencheu-se com rocha, selando o caminho. O clérigo de Mystra, antes de prosseguir com os seus companheiros rumo ao desconhecido, ainda disse ao vento algumas palavras.

      “Kariel! Estamos fugindo da fortaleza Trun´Zoyl´Zl!”

Preparando-se para a Tocaia

      Chessintra, Lesaonar, Kariel e Arthos estavam novamente juntos no portão de entrada da Cúpula dos Desafios. Eclavdra não havia saído e ainda aguardavam, porém nem todos o faziam pacientemente. Lesaonar, visivelmente apreensivo, manifestou-se.

      “Acho que estamos perdendo tempo aqui. Devíamos estar no encalço do contato de Eclavdra. Ele poderia nos levar até o esconderijo do Jalavar Lynnur. Estamos desperdiçando uma oportunidade!”.
      “Mas como vamos alcançá-lo? Ele está vários minutos à frente e nem sabemos para onde ele foi!”, perguntou Arthos.
      “Meu amigo tem razão. Até poderia transportar-nos através de uma magia, mas para onde conduziria o encanto?”, colocou Kariel.
      “Para que direção disse mesmo que o drow que conversava com Eclavdra foi, Kariel?”, perguntou Chessintra.
      “Ele rumou ao sul, além das muralhas!”, respondeu o mago.
      “Foi naquela direção que perdi o rastro de um agente do Jalavar Lynnur, uma certa vez, depois de segui-lo por uma hora e meia. Se puder nos teletransportar este local, talvez possamos chegar à frente dele e interceptá-lo”.
      “Precisarei de alguma referência de distância e direção para tentar o teletransporte, mas advirto que poderá ser perigoso. As cavernas são muito irregulares. Se não conseguirmos atingir o local correto, poderemos surgir em um local distante de onde deveríamos aparecer, ou acabar em uma área dentro da rocha ou no ar acima delas”, avisou o arcano da Comitiva.
      “Estou disposto a correr o risco. Precisamos aproveitar esta chance”, respondeu Lesaonar.

      Os aventureiros ponderaram por alguns instantes e decidiram sobre a solução de Chessintra e Lesaonar e concordaram em adotá-la. Deixaram as cercanias da Cúpula, caminharam pelas ruas e, por fim, deixaram o Distrito pelo seu portão mais ao sul. Posicionaram-se em um local deserto e Chessintra começou a dar instruções sobre o local onde acreditava que o agente do Jalavar Lynnur poderia ser interceptado. Disse ao mago a distância aproximada, a direção, a aparência das rochas e a altura aproximada da caverna. Kariel concentrou-se e começou o ritual mágico de palavras e gestos. Desapareceu com seus três companheiros. Porém, quando a magia os deixou, não estavam em terra firme, mas sim a cerca de quatro metros do solo. Os espiões caíram do ar, chocando-se pesadamente nas rochas.

      “Vocês estão bem?”, perguntou Lesaonar, levemente machucado, erguendo-se do solo com dificuldade.
      “Ai... doeu um pouco, mas estou bem!”, disse Arthos, ajeitando-se e sacudindo a poeira do traje requintado.
      “Estamos no lugar certo, Chessintra?”, perguntou Kariel, que se levantou e comandou que sua espada mágica brilhasse levemente, fornecendo um pouco de luz ao grupo.
      “Reconheço aquela estalactite!”, disse a mulher, que havia ganhado algumas escoriações na perna durante a queda, mostrando uma gigantesca formação calcárea branca mais à frente, cuja aparência curiosa em muito lembrava um gigantesco favo de mel. “Somente precisamos andar alguns metros!”.
      “Um momento!”, falou Kariel com um tom de urgência na voz. “Acabo de ouvir em minha mente um recado: Nossos companheiros acabaram de fugir da Fortaleza Trun´Zoyl´Zl”.
      “Eles estão sendo perseguidos? Os Trun´Zoyl´Zl os descobriram, Kariel?”, questionou Arthos, preocupado.
      “Não disseram. De qualquer forma, teremos que aguardar outro contato! Espero em Mystra que não tenhamos, pelo menos por agora, também a Casa Trun´Zoyl´Zl em nosso encalço”, desejou o elfo arcano da Comitiva da Fé.
      “Eilistraee abençoe suas palavras, mago!”, completou Chessintra.
      “Companheiros.”, disse Lesaonar, voltando a atenção para a tarefa que se apresentava no momento.“Irei espreitar à frente. Quero que fiquem a uma boa distância de mim, para evitar qualquer descuido que possa prejudicar a perseguição”.
      “Está bem! Você é o rastreador! Ficaremos a uns cinqüenta metros de distância!”, sugeriu Chessintra.
      “É suficiente, Chess. Sejam silenciosos!”, disse o drow colocando o dedo indicador nos lábios. Em seguida, partiu na direção da estalactite apontada pela companheira de luta.

      Assim permaneceu a Comitiva da Fé. Um grupo aguardava, em meio às rochas e o ar úmido e frio de uma gigantesca câmara cavernosa, a passagem do misterioso drow do Jalavar Lynnur, enquanto o outro se embrenhava em uma passagem incomodamente estreita e irregular, deixando o território de uma das mais poderosas Casas drows do Subterrâneo, em busca de guarida em algum lugar da perigosa cidade de Undrek´Thoz.

Esta história é uma descrição em teor literário dos resumos de aventuras jogadas pelo grupo Comitiva da Fé em Salvador sob o sistema de RPG Dungeons & Dragons, Edição 3.5.

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