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A Última Batalha em Undrek’Thoz

Descrita por Ricardo Costa.
Baseada no jogo mestrado por Ivan Lira.

Personagens principais da aventura:

Os Humanos: Arthos Fogo Negro [Torrellan Millithor]; Magnus de Helm [Marckarius Millithor]; Sigel O'Blound (Limiekki) [Dariel Millithor]; Danicus Gaundeford [Glemoran Millithor]. Os Elfos: Mikhail Velian [Narcélia Millithor]; Kariel Elkandor [Karelist Millithor]. O Grimlock: Loft Moft Toft Iskapoft. O Halfling: Bingo Playamundo [Quertus Millithor].

A Última Batalha em Undrek’Thoz

A Invocação Inesperada

      As palavras arcanas sinistras ecoavam na sala. Eclavdra e seu parceiro arcano conjuravam o feitiço para trazer ao mundo alguém de outro plano, alguém que lhes prometia poder ilimitado. O nome da desaparecida deusa maligna Lolth passava pela cabeça dos heróis integrantes da Comitiva da Fé que, desesperadamente, corriam para evitar o pior. Queriam interromper o ritual, antes que fosse tarde demais.

      Kariel, o mago elfo em disfarce de drow, era o companheiro da Comitiva que estava adiante do grupo, mais próximo dos dois inimigos, do portal e da gema mística que brilhava e faiscava em um vermelho luminoso. Entre ele e o objetivo, havia uma espécie de muralha feita de energia, suspensa pelas artes místicas do drow inimigo. Porém não sabia o arcano perverso que o elfo era, por graça de Mystra, a Deusa da Magia, imune a tal tipo de sortilégio. Esperava Kariel atravessar a parede e destruir a pedra, fonte de energia do ritual pernicioso.

      Se muitas vezes, o destino colaborou com a Comitiva, esta não foi uma delas. As vozes de Eclavdra e do mago desconhecido calaram-se e o portal, que parecia um disco de energia ovalado aberto no nada, reluzente como um espelho, tornou-se colorido como o arco-íris e deles saíram duas figuras. Todos os presentes pararam por um instante para observar uma mulher, de belas formas, roupas diminutas, pele clara, cabelos negros, um rabo fino e comprido como uma serpente, e grandes asas de um morcego que lhe saiam das costas, deixar o portal. Uma outra figura, desta vez masculina, seguiu-se a ela. Era um homem, de constituição forte e grande estatura, vestido em belos trajes. Possuía a pele cinzenta, olhos completamente brancos e cabelos vermelhos como o fogo. Eles calmamente aproximaram-se de Eclavdra e de seu companheiro.

      “Conseguistes! Tu nos libertaste!”, disse, sorrindo a mulher alada.
      “Mas... o que é isto? Que engodo é este? Onde está Lolth?”, bradou a drow, surpresa e enfurecida.
      “Lolth não está conosco, tola. Ou nos segue, ou perecerás!”, disse o homem, aproximando-se da sacerdotisa.
      “Não!”, gritou a elfa das sombras, sacando a espada da sua bainha e investindo contra o recém chegado.

      Chocante foi então a cena. O homem desviou do golpe com graça e com a mão direita agarrou o pulso de Eclavdra. Tamanha foi a força, que a sacerdotisa derrubou sua arma. Em seguida, foi erguida ao ar e, usando apenas as mãos, o sinistro personagem arrancou-lhe os braços, jogando-a, viva e sofrendo, por cima do altar, derrubando-o e com ele a gema mágica, que não mais brilhava. Em seguida, atirou seus membros ao chão.

      Diante da grotesca visão, o mago drow que havia acompanhado Eclavdra na invocação mal-sucedida, decidiu que era hora de partir enquanto estava vivo. Com uma magia oportuna, desapareceu do local. A atenção dos dois seres voltou-se agora para os outros ocupantes da sala, os aventureiros da Comitiva da Fé.

      “Veja. Parece que temos companhia, Naoc!”, disse o homem.
      “Sim, Zarvur!”, respondeu a mulher, que havia apanhado do chão um dos braços ensangüentados de Eclavdra e o mordia. “Parecem interessantes!”.
      “O que são vocês? O que querem!”, perguntou Arthos.
      “São demônios, Arthos!”, respondeu Magnus ao amigo. “A lâmina de Hadryllis brilha intensamente!”.
      “Um bando com homens, drows e dois elfos! Dois elfos! Que sorte a minha hoje!”, falou o sombrio homem cinzento que conseguia, de alguma forma, ver além dos disfarces mágicos usados pela Comitiva. Zarvur também percebeu a gema caída ao chão e agachou-se para apanhá-la.
      “Isto nos pertence! Devolva-nos esta gema!”, bradou Mikhail.
      “Hum... Se tu desejas tanto, então isto deve possuir algum valor! Terás de vir tirá-la de mim!”, respondeu o estranho a Mikhail, enquanto tocava a parede de energia, criada minutos atrás, dissipando-a imediatamente.
      “Já íamos embora, mas vós, criaturinhas, já nos incomodaram muito para serem deixadas sem uma lição!”, disse a mulher demônio, olhando para o seu companheiro, como se já tivessem combinado em suas mentes o que iam fazer em seguida.

      Os demônios pronunciaram algumas palavras e gesticularam. Uma nuvem cinzenta tomou conta da câmara, e ouviu-se dela grasnados horríveis. A fumaça dissipou-se rapidamente, revelando seis horrendas criaturas. Pareciam um imenso e bizarro misto de homem e abutre, com mais de dois metros de altura. Sua raça demoníaca era chamada de vrock.

      Os vrocks espalharam-se e encaravam ferozmente os aventureiros, enquanto se aproximavam. Limiekki foi, dentre os companheiros da Comitiva, quem primeiro reagiu. Um golpe de seu pequeno machado tentou encontrar um dos braços desproporcionais da criatura, mas o vrock grasnou e deu um pequeno pulo para trás. Ainda assim, cortou-lhe levemente a asa. Mikhail também desferiu um golpe com seu martelo mágico, mas não logrou êxito. O homem-abutre demoníaco esquivou-se do ataque do clérigo. Danicus, o veterano Harpista, acadêmico que realizava seus sonhos de aventuras com a Comitiva da Fé, foi mais efetivo usando seus conhecimentos como mago. Após pronunciar algumas palavras místicas e realizar gestos rápidos, partiu de suas mãos um raio multicolorido, que ricocheteou nos vrocks, causando-lhes vários efeitos. Três deles sentiram o corpo cobrir-se de ácido e outros dois de chamas, que se extinguiram rapidamente, deixando-os feridos, mas ainda vivos. Um outro desapareceu completamente sob o efeito do raio, que o devolveu ao plano abissal de onde era originário.

      Magnus usou sua Hadryllis no demônio que dele havia se aproximado. O paladino sentia a espada mágica investir quase como se comandasse a sua mão, tamanha era a vontade que a mesma golpeava o vrock. Hadryllis havia sido forjada para combater seres demoníacos e quando os encontrava brilhava em um vermelho incandescente. Chessintra recuou do combate para realizar uma oração a Eilistraee, prece esta que concedeu aos seus aliados maior precisão nos ataques. Leosanar usava sua lâmina para defender-se das garras afiadas do oponente. O mesmo fazia Kariel que, como havia utilizado muito de seu repertório mágico, possuía poucas opções além de sua espada élfica. Já Arthos... Arthos, imprudente, correu em direção de Zarvur e Naoc que, até o momento, somente observavam o combate, como se assistissem a um jogo.

      Alguns poucos e demorados minutos se passaram. A Comitiva da Fé, já enfraquecida pelos combates anteriores contra os drows, tentava desesperadamente conter os ataques dos demônios. O combate não poderia durar muito mais, pois sabiam eles que a morte se aproximava e poderia levar alguns de seus companheiros consigo. No momento, apenas um vrock havia sucumbido, diante de um poderoso ataque da espada Hadryllis e havia outro imobilizado por tentáculos negros, brotados do solo por conseqüência de uma magia conjurada pelo professor Danicus. Limiekki, encolhido em um canto da sala, gritava de terror: um medo terrível e incontrolável foi posto em sua mente por uma arte mágica do demônio Zarfur. Os demais lutavam contra os vrocks, enquanto Arthos batia-se contra Naoc e Zarfur, em um combate sem muita esperança.

      Kariel e Danicus buscaram se afastar da luta franca, tempo suficiente para utilizarem uma magia poderosa. O elfo arcano sacou de um de seus bolsos a varinha negra de madeira imbuída de magia e a girou no ar, apontando para a área onde dois dos vrocks se concentravam. Uma bola de chamas então surgiu do instrumento mágico, explodindo e atingindo os demônios. Danicus utilizou o mesmo sortilégio, contra os mesmos oponentes, porém o fez sem nenhum instrumento, valendo-se da energia mística que ainda lhe restava para conjurar tal magia. Os abutres humanóides sentiram o calor que queimou-lhes a pele e preencheu a sala com o nauseabundo odor das penas chamuscadas, e grasnaram horrivelmente.

      Os sortilégios dos magos da Comitiva forneceram tempo suficiente para Arthos e Leosanar deixarem o combate e aproximarem-se de Mikhail. Os dois primeiros estavam bastante feridos e sabiam que o clérigo de Mystra poderia ajudá-los. E assim fez o elfo dourado de Evereska. Solicitou a sua deusa que curasse parte dos ferimentos dos companheiros, que voltaram para a peleja. Magnus, que já havia sido o carrasco de um dos demônios, derrubou outro. Parecia que naquele dia, Hadryllis estava feroz, ainda que o paladino que a empunhava estivesse no limite das suas forças. Leosanar que, mesmo com o auxilio divino de Mikhail, ainda estava ferido, atingiu com seu sabre o vrock contra o qual lutava, em um golpe também fatal. Parecia que a Comitiva da Fé começava a mudar o seu destino, porém o sangue dos aventureiros derramado no chão colocava dúvidas sobre o desfecho da batalha.

      Kariel e Danicus novamente conjuraram magias. Do primeiro partiram luzes coloridas de energia que explodiram em um dos demônios e do segundo, outra esfera flamejante. Tais feitiços decretaram o fim de mais um dos abutres do Abismo. Apenas restava um, que em desespero, atacou Magnus, procurando vingança pela morte dos seus aliados. Com uma garra afiada como uma adaga, provocou um talho profundo no pescoço do paladino, que desabou no chão, ainda respirando. O vrock preparava uma investida mortal, quando Limiekki, que estava próximo, colocou-se na frente do amigo e desferiu um golpe de machado que abriu a cabeça do monstro. Todos os demônios abutres estavam mortos. Mikhail aproximou-se imediatamente do paladino caído, e administrou sobre ele uma prece curativa, fazendo o jovem recuperar-se e novamente pôr-se de pé. Danicus também auxiliou Magnus: lançou sobre ele uma magia que fazia, momentaneamente, sua pele mais rígida e resistente contra cortes.

      Naoc e Zarzur ainda observavam e, ironicamente, sorriam. Estavam surpresos por aqueles seres terem vencido os vrocks, mas não os consideravam grande desafio. Zarfur, ainda com a gema mística em uma das mãos, falou.

      “Parabéns! Vamos ver como vós lutais conosco!”.

      Kariel foi quem primeiro partiu e atacou Zarfur. Sua espada élfica atingiu o demônio no flanco direito, mas a retribuição fora bem pior. As mãos da criatura do Abismo, garras afiadas, rasgaram a carne do elfo, fazendo-o cambalear. O demônio, de maneira selvagem, ainda mordeu o ombro do mago da Comitiva, exibindo seus dentes afiados. Kariel, então, foi jogado ao longe, desacordado.

      Arthos correu em seguida, com sua Lâmina das Rosas nas mãos, mas ao fitar a bela Naoc, deteu seu avanço e, de olhos vidrados, começou a caminhar lentamente na direção da mulher demoníaca, cuja raça, nos planos infernais, era chamada súcubo. Tentando evitar um destino trágico para Arthos, Danicus usou um dos poucos sortilégios que ainda lhe restavam, na intenção de anular o transe que se abatia sobre o espadachim. Conjurou uma magia capaz de dissipar os efeitos mágicos na área onde estava Arthos. No entanto, não conseguiu o efeito desejado. Arthos continuava em transe, mas havia ilusões ativas e elas desapareceram. Arthos, que estava disfarçado como um drow, voltou a ser um homem e, surpreendentemente, a forma quase humana de Zarfur também desapareceu, mostrando em seu lugar uma aparência bem mais aterradora. Um demônio com mais de quatro metros de altura, corpo musculoso e pele avermelhada, uma cabeça canina dotada de chifres e quatro braços, dois semelhantes ao de um homem e outros dois terminados em poderosas tenazes se apresentou diante da Comitiva. Tal medonha criatura era conhecida nos recantos abissais como glabrezu.

      “Gostaria de mostrar minha real aparência em um momento mais apoteótico, mas já que resolvestes revelá-la, fico feliz em saber que conhecereis a verdadeira face de vosso carrasco!”, anunciou com uma voz grave e inumana.

      Nesse momento, Arthos aproximou-se da súcubo e a atraente demônio agarrou-lhe e deu-lhe um ardente beijo. Aos poucos, Arthos, impotente, sentia a vida se esvair de seu corpo. Chessintra aproximou-se de Kariel. O elfo estava morrendo, mas a drow sacerdotisa de Eilistraee ainda podia realizar preces curativas. Pediu a sua deusa e ela restaurou alguns ferimentos do mago, trazendo-o a consciência. Magnus correu com a brilhante Hadryllis nas mãos na direção do gigantesco adversário. O jovem guerreiro desferiu dois poderosos golpes no abdômen do glabrezu, que retribuiu o ataque com suas garras, cortando o paladino. Uma das tenazes do demônio agarrou Magnus pela cintura e tentava esmagá-lo, mas as mãos do guerreiro do deus Helm ainda estavam livres. Quando Zarfur tentou erguer o aventureiro, inadvertidamente permitiu que este desferisse um único ataque de Hadryllis. A espada sagrada penetrou fundo no corpo da criatura infernal. O que se viu depois foi uma explosão surda, que transformou o glabrezu em uma pilha de carne mal cheirosa. Magnus caiu do alto e soltou-se, assim, da garra sem vida do monstro. A gema mística agora estava novamente no chão.

      Naoc percebeu o fim de seu aliado e, horrorizada com a possibilidade de ter o mesmo destino, libertou o pálido e indefeso Arthos. Com um rápido gesto arcano, abriu um portal luminoso e por ele passou, deixando seus inimigos para trás. Limieeki, refeito do medo colocado sobre si pelo demônio, imediatamente fitou a gema mística que jazia no chão. Reuniu suas forças em um golpe poderoso de seu machado, estilhaçando a pedra e liberando uma energia mágica que o empurrou metros para trás. A Comitiva, debilitada, podia agora se refazer.

Adeus a Undrek’Thoz

      A Comitiva permaneceu alguns minutos na sala. Mikhail e Chessintra aproveitaram o tempo para administrar os últimos encantamentos de cura que possuíam. Dentre todos, Arthos era que mais preocupava. O espadachim estava pálido e fraco. Estava de pé, mas não conseguia andar ou falar. Seus olhos pareciam fitar um horizonte distante. O professor Danicus interrompeu o pequeno descanso com palavras rápidas e urgentes:

      “Encontrei uma porta aqui!”, disse o mateiro Limiekki. “Ela leva a uma escada!”.
      “Temos que sair daqui agora mesmo. O mago que estava com Eclavdra fugiu. Se ele retornar, ou pior, se vier com reforços, penso que não sairemos daqui com vida!”
      “Mas enquanto a Arthos, professor!?”, retrucou Kariel, “Ele mal consegue caminhar!”
      “Então terá que ser carregado! Não podemos esperar que ele se recupere!”
      “O senhor está certo, professor!”, colocou Magnus, o paladino de Helm. “Eu o levarei!”.

      A Comitiva então rumou passagem acima. As escadas, iluminadas pela luz azulada emitida da espada mágica de Kariel, conduziam a um alçapão trancado por um cadeado. O mateiro Limiekki golpeou a tranca com seu machado e empurrou a tampa de madeira. Estavam em uma sala pequena, vazia de móveis. Dela partia outra porta.

      “É melhor ficarem aqui por enquanto!”, sugeriu Limiekki. “Será mais fácil investigar a saída daqui se continuar sozinho!”.
      “Irei com você!”, ofereceu-se Kariel. “Estarei invisível!”.

      Limiekki aceitou a companhia e Kariel tocou o elmo que o fazia desaparecer. A nova porta estava destrancada e eles avançaram para um outro cômodo. Era uma sala, pouco maior do que o quarto anterior. Nela havia duas portas. Kariel e Limiekki encostaram os ouvidos nas folhas de madeira, para tentar ouvir algo. O mateiro foi quem conseguiu alguma coisa. Escutou uma conversa, aparentemente de duas pessoas. Informou suas suspeitas através de gestos ao arcano da Comitiva. Kariel então lançou sobre Limiekki um sortilégio que permitia que pudesse se comunicar à distância com o amigo através de sussurros, e disse-lhe.

      “Vou investigar! Se houver problemas, falarei a você!”.
      “Está bem! Aguardo aqui!”, respondeu Limiekki.

      Kariel então abriu a porta discretamente e colocou-se no novo cômodo, um corredor longo que acompanhava o traçado ovalado da arena. Havia dois soldados a poucos metros de onde estavam. Conversavam algo que Kariel não pôde distinguir. O elfo caminhou um pouco mais e aproximou-se dos drows o suficiente para ouvi-los. Um deles, porém, mudou a conversa, olhando para a porta de onde o arcano viera, que estava entreaberta.

      “Aquela porta não deveria estar fechada?”, disse o soldado ao companheiro.      
      “Alguém deve ter esquecido de trancar! Vou averiguar e volto!”.

      Enquanto o drow caminhava para a porta, o mago sussurrou para o amigo:

      “Limiekki... um drow se encaminha para a sua direção! Fique preparado!”.

      A mensagem ecoou na mente do mateiro, que se ocultou logo atrás da porta. O sentinela adentrou o aposento, deu alguns passos e, como olhava para frente, não viu quando Limiekki atacou-lhe pelas costas, segurando sua boca e ameaçando, com a lâmina do seu machado. Mas o soldado, com uma cotovelada rápida, conseguiu se desvencilhar. Sacou a espada e investiu contra o mateiro de Forte Zenthil. Limiekki trocou alguns golpes com o inimigo, mas foi uma lâmina traiçoeira que encerrou o combate. Leosanar, pelas costas, atravessou o adversário com o seu sabre, fazendo-o cair morto ao chão.

      Enquanto isto acontecia, no corredor onde estava Kariel, invisível, o sentinela restante estranhou a demora do companheiro e resolveu encaminhar para a porta. Kariel o seguiu e o golpeou com sua lâmina pelas costas, ataque que fez com que reaparecesse. O drow gritou de dor, mas ainda vivia por conta da armadura negra de couro que vestia. Sacou a espada e passou a duelar com o arcano. Kariel, além do treinamento militar que havia recebido em sua terra natal, o pequeno reino élfico de Kand, e em Forte Zenthil, contava naquele momento também com a sorte. Após desviar-se com sucesso de uma investida, cravou sua lâmina no peito do adversário, matando-o. Investigou, em seguida, os bolsos do drow. Encontrou um molho de chaves grandes e ornamentadas.

      Neste tempo, chegaram até a porta o restante da Comitiva. Arthos já andava por conta própria, mas sua mente estava confusa e ele não conseguia enxergar muito. Com o seu disfarce de drow fora embora também a habilidade de ver na escuridão. Percorreram o corredor e encontraram um portão. Kariel testou as chaves encontradas e um clique desejado fez abrir a grade negra. Estavam fora da Cúpula do Desafio, nas ruas, agora pouco movimentadas, de Phandalkusan.

      Após esconderem precariamente a aparência humana de Arthos com uma capa, a Comitiva rumou rapidamente para fora do Distrito. Iriam para os ermos selvagens que rodeavam as muralhas da cidade, para unirem-se em segurança a Bingo e Iskapoft e então partirem. Foi quando ouviram alguém que os seguia chamar:

      “Psiu! Esperem por nós!”, era Bingo.
      “Pensei que estavam aguardando fora da cidade!”, disse Magnus, dirigindo-se para o pequenino.
      “E ficar sozinhos naquele lugar sombrio!? Não, não... mas não se preocupe. Não nos metemos em confusão e nem fomos seguidos!”.
      “Graças a Mystra! Mas temos que sair daqui o mais rápido possível. Não é seguro permanecermos nesta cidade! Vamos!”, apressou Mikhail.

      E assim a Comitiva deixou as ruas e prédios do Distrito da Magia, passando pelo grande portão de suas muralhas e parando em um ermo pedregoso, a alguns metros da estrada que o cortava.

      “Parece que agora podemos partir!”, disse Danicus.
      “Partir?... o que... o que aconteceu?!”, falou Arthos, recobrando a lucidez. “Minha cabeça está doendo tanto... parece que há um sino badalando dentro dela!”.
      “Você foi vítima de um ataque daquela mulher-demônio, Arthos! Mas ela fugiu e conseguimos alcançar nosso objetivo. A gema foi destruída”, explicou Mikhail.
      “Agora estamos prontos. Eu e o professor poderemos nos tirar daqui através de magia, mas enquanto a vocês, Leosanar e Chessintra? Podem sair daqui pelos seus próprios meios? Podemos fazer algo por vocês?”, perguntou Kariel.
      “Não se preocupe! Podemos nos virar!”, disse Chessintra sorrindo. “Kariel e membros da Comitiva. Acho que falo por mim e pelos outros membros do Fogo Lunar quando digo que já fizeram muito. Nos dois últimos ciclos, realizaram feitos impressionantes e nós tivemos a honra de auxiliá-los. Devem ser grandes heróis no lugar de onde vieram”.
      “Não tanto quanto vocês, Chessintra!”, respondeu Limiekki. “São tão poucos e lutam por uma causa tão difícil em uma cidade repleta de inimigos. Vocês são os verdadeiros heróis!”.
      “Espero que um dia possamos nos reencontrar na Superfície. No dia em que nossos objetivos forem alcançados e os drows puderem compartilhar pacificamente do mundo acima de nós!”, continuou a sacerdotisa de Eilistraee.
      “Nunca foram a Superfície?”, perguntou Kariel.
      “Não! Mas esperamos viver para conhecê-la!”, respondeu Leosanar.
      “Então lhes mostrarei a Superfície!”, disse o arcano da Comitiva, já preparando os gestos místicos.

      Kariel executou o ritual mágico e surgiu em meio aos aventureiros a ilusão de uma grande janela. Através dela, paisagens extraídas das memórias do elfo passeavam. O céu claro, com nuvens tal qual algodão, o correr ruidoso do rio do Unicórnio, as florestas, o revoar de pássaros, as ruas do Vale das Sombras e seus habitantes a andar, a noite estrelada, as belas casas de Kand. À medida que as imagens eram exibidas, mais maravilhados ficavam Leosanar e Chessintra. As belezas da Superfície eram muito mais impressionantes do que podiam contar os livros de história. Por fim, a ilusão terminou, deixando como conseqüência um sorriso nos semblantes dos drows e uma determinação ainda maior de seguir com sua luta.

      “Isto foi lindo! Obrigado por nos mostrar, Kariel!”, agradeceu Chessintra. “Tome!”, disse a sacerdotisa retirando um colar que usava. “Este colar possui o símbolo do Fogo Lunar. Se encontrarem outra célula de nosso grupo, apresente-o a eles e diga-lhes que eu lhes dei isto!”.
      “Obrigado! Temos que ir! Que os deuses lhes favoreçam, amigos!”, desejou Kariel, enquanto guardava consigo o colar.
      “Adeus, companheiros! Boa sorte!”, despediu-se, derradeiramente, Leosanar.

      Danicus e Kariel então executaram o ritual mágico de teletransportação. Com as últimas palavras arcanas, o grupo desapareceu, ressurgindo em um amplo platô rochoso, a alguns quilômetros de distância, próximo ao local onde foram deixados pela nau voadora. Kariel então chamou por Storm e, minutos depois, os aventureiros viram descer das sombras no alto da caverna a embarcação netherese, que os conduziriam para outra paragem, para outra de suas aventuras fantásticas.

Nota: Esta foi a última aventura mestrada pelo amigo Ivan Lira, que passou o bastão de Mestre para mim, Ricardo Costa, e agora integra novamente o grupo de jogadores. Obrigado Ivan, pelos anos de aventuras, dedicação e surpresas. Farei o possível para proporcionar a você e aos nossos amigos a mesma diversão!

Esta história é uma descrição em teor literário dos resumos de aventuras jogadas pelo grupo Comitiva da Fé em Salvador sob o sistema de RPG Dungeons & Dragons, Edição 3.5.

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