Os Últimos Dias
de Glória
O que é RPG
Página Principal
A Comitiva da Fé
Definição
Histórias
Última História
Personagens
Jogadores
Galeria de Arte
Diversos
Forgotten Realms
 Definição
 Geografia 
 Divindades
 O Mundo
 Organizações
 Personagens
Artigos
 Galeria
Suplementos
Autores
Site
 Matérias
 Downloads
 Notícias
 Parceiros
Links
 Sobre o Site
 Glossário
 Créditos
Mensagens Arcanas
E-mail


powered by FreeFind

Histórias
 

Imaskar das Profundezas

Descrita por Ricardo Costa.
Baseada no jogo mestrado por
Ricardo Costa.

Personagens principais da aventura:

Os Humanos: Arthos Fogo Negro;Magnus de Helm; Sigel O'Blound (Limiekki); Danicus Gaundeford; Klerf Maunader. Os Elfos: Mikhail Velian; Kariel Elkandor. O Grimlock: Loft Moft Toft Iskapoft. O Halfling: Bingo Playamundo. Participação Especial: Storm Mãe Argêntea.

Imaskar das Profundezas

A Canção de Storm

      O grupo de aventureiros da Comitiva da Fé retornou a nau voadora que o conduzia pelas imensas e perigosas cavernas do Subterrâneo. Os heróis estavam exaustos, mas haviam cumprido a missão de localizar e destruir o portal e a gema mística, partes fundamentais do plano drow de invasão da Superfície, da cidade de Undrek’Thoz. Foram recebidos pela bela Barda do Vale das Sombras, Storm Mão Argêntea e pelo harpista Klerf. A mulher de cabelos prateados ajudou-os a descer a rampa de madeira, que ligava o solo ao convés.

       “E então, Comitiva?”, perguntou.
       “Conseguimos! Encontramos o portal na Casa Trun’Zoyl’Zl e o destruímos. A pedra havia sido roubada e exigiu mais investigação, mas por fim a encontramos no Distrito de Phandalkusan e também a fizemos em pedaços!”, relatou Mikhail
       “Mas não foi sem esforço! Lutamos com muitos drows e enfrentamos até dois demônios!”, completou Arthos, ainda com o rosto pálido.
       “E encontramos um grupo aliado, chamado Fogo Lunar. São seguidores de Eilistraee e nos ajudaram com a missão. Parecem existir células dele espalhadas por outras cidades!”, disse Kariel.
       “Excelente notícia, meus amigos! Precisaremos de toda a ajuda que pudermos obter!”, falou Storm. “Obrigada, Comitiva! Agora vão descansar! Vocês estão péssimos, especialmente Arthos! Nossa próxima parada é a cidade drow de T’lindeth. Até lá, haverá tempo suficiente para vocês se refazerem!”.
       “Tenho mesmo que descansar! Realmente me sinto muito mal, desde aquele encontro com a mulher-demônio!”.
      “Não se preocupe, Arthos! Farei uma sopa de legumes especial!”, disse Bingo
      “Obrigado, pequeno, mas acho que vou dormir um pouco!”, respondeu o espadachim, desalentado.

      A Comitiva se recolheu, descansando dos perigos enfrentados na cidade drow de Undrek’Thoz. Naqueles momentos, em que a nau cruzava silenciosamente o ar, Mikhail orava e lia o livro sagrado da Deusa Mystra, Kariel, deitado, escrevia um novo capítulo do seu diário pessoal, Magnus polia sua armadura enquanto conversava com Storm, Limiekki limpava suas armas, o professor Danicus contava sua última aventura para o discípulo Klerf, Iskapoft observava Bingo cozinhar e Arthos dormia. Assim, sete horas se passaram.
      O espadachim ruivo ainda sonhava, enquanto o seu corpo cansado repousava. Em sua mente, estava sentado em uma mesa de taverna, no Vale das Sombras talvez, tendo do outro lado o amigo Kelta. Jogavam carteado cormyriano, em um jogo chamado “caixa do rei”. Arthos tinha em suas mãos cartas representando o rei, uma rainha, o príncipe, o general e o nobre. Era uma mão muito boa e o ruivo ex-elfo colocou todas as moedas de ouro que tinha naquela jogada.

      “É, meu velho Kelta! Parece que agora você perdeu as calças!”, disse sorrindo e confiante, mostrando as coloridas figuras.
      “Lamento, Arthos... mas é você quem vai andar de ceroulas!”, sorriu o mago, baixando suas cartas na mesa.
      “Um rei, uma rainha, um príncipe, o general e o mago de guerra! Não é possível! Perdi de você, Kelta! Você deve ter trapaceado!”, disse, um indignado Arthos, acostumado a jogar, mas nunca a perder.
      “É, meu amigo! Tymora às vezes dá e às vezes tira! Agora vamos comer... vamos comer...vamos comer...”.
      A voz ecoou na cabeça de Arthos e ele acordou com Bingo a sua frente, com uma panela na mão e um prato na outra. Iskapoft estava logo atrás.
      “Vamos comer, Arthos! Acorda! Experimente minha sopa! Você está anêmico!”.
      “Bingo! Tive um pesadelo terrível!”, disse, despertando. “ Sonhei com Kelta! Ele me venceu em um jogo de cartas... isso é impossível!”.
      “Tanto barulho por conta de um sonho bobo. Bebe logo a sopa!”, insistiu o pequeno, empurrando um prato na direção do amigo.
       “Humm... muito boa! Até que você cozinha bem!”.
      “Ah sim! Sou um bom cozinheiro! Era famoso em Luiren”, disse, feliz da vida pelo elogio. “E você, Iskapoft? Não quer uma sopa não?”.

      O grimlock olhou para a panela e coçou a cabeça.

      “Iskapoft nunca comeu isso, pequenino!”.
      “Ah!... então toma um pouco!”, disse Bingo, despejando um pouco do caldo de legumes em um prato e entregando ao companheiro. Iskapoft tomou o prato com as duas mãos e levou a boca, em um barulho desagradável, mas logo em seguida cuspiu tudo que havia tomado!
      “Puuuuh! Isso é ruim! Gosto de carne é bom. Isso não!”, disse o grimlock, puxando de uma sacolinha de tecido suja, um pedaço de carne seca e velha, para o asco daqueles que estavam ao seu lado.
      “Bem... se você, que só come estas carnes podres, não gostou, posso considerar um elogio!”, disse o halfling olhando para o chão sujo. “Agora tenho que limpar esta bagunça!”.
      Quando o halfling ia deixando a cabine para buscar um balde, água e esfregão, entrou pela porta Storm.
      “Salve! Espero que estejam melhores, especialmente você, Arthos!”.
      “Um pouco melhor!”, respondeu o espadachim. “Obrigado por se preocupar!”.
      “Vim aqui lhes fazer um convite! Não sei se sabe, mas o povo dos Vales me chama também de a “Barda do Vale das Sombras”, mas esta barda ainda não havia cantado nenhuma uma canção para a Comitiva. Hoje irei reparar esta falha”, disse a mulher de cabelos prateados, em um sorriso encantador. “Kariel toca flauta e concordou em me acompanhar! Se quiserem, podem ir a cabine de comando e escutar!”
      “Oba! Uma festa! Vamos!”, animou-se Arthos.
      “Música é sempre bom para aquecer o coração e espantar as sombras!”, disse Limiekki, que sentava em um beliche próximo. “É claro que eu vou!”.
      “Vamos todos!”, conclui Bingo.

      Poucos minutos depois, a Comitiva estava reunida na cabine de comando, a exceção de Mikhail que, a pedido de Storm, ficara no convés, para vigiar se as coisas estavam em ordem. A Barda do Vale das Sombras e Kariel, que portava uma bela flauta transversal élfica feita de prata e finamente ornada, combinaram algo e começaram o pequeno espetáculo. Ao som melodioso e alegre do instrumento, Storm começou a cantar. Sua voz agora era ainda mais doce e suave.


“Eu estive em muitos lugares
Viajei  mundo afora
Sempre à procura de novos ares
Mas, o que isso importa agora,
Quando todas as estradas que eu atravessei
Parecem voltar para aqueles que deixei


Rostos familiares
Pelas velhas calçadas
Estão em todos lugares
 lanternas iluminadas
Onde quer que eu vá
Me chamando para  voltar


Dançando sob o luar
Na chuva a cantar
Oh, como é bom estar no lar

À luz do sol a gargalhar
Na estrada a caminhar
Oh, como é bom estar no lar” (*)


      A música terminou e vieram as palmas. Mikhail, mesmo do convés, conseguiu ouvir um pouco da música, mas outro som chamou-lhe a atenção. Parecia alguém sussurrando, vindo da escuridão acima da caverna. O elfo sacerdote de Mystra pôs-se em prontidão e olhou para o alto. Em um ato de vontade, ergueu seu martelo mágico de guerra, conhecido como o “Destruidor de Tempestades” e dele partiu um raio de luz em direção ao teto. A claridade revelou uma plataforma de pedra, logo acima da nau e pequenos vultos se esconderam aos resmungos. Porém, outros abordaram o convés, usando cordas. Mikahil agora podia vê-los: eram cinco seres de baixa estatura, mas com a pele cinzenta, carecas, de barbas totalmente brancas. Eram da desprezível raça de anões conhecidos como duergares e estavam armados com espadas. Ouviu-se um novo ruído, repentino e forte. Uma grande estalactite desabou do alto, destruindo e atravessando o piso de madeira do convés, entrando pela cabine de comando, no pavimento inferior, pelo teto. Estavam sendo emboscados.

Duergares

      Storm e Kariel haviam terminado de se apresentar quando uma pontiaguda estalactite destroçou a madeira clara do teto, atravessando a cabine de comando repentinamente. Arnilan, por puro reflexo, conseguiu deslocar-se o suficiente para desviar da rocha, que destruiu a poltrona de comando da nau. Porém, ao escapar, o piloto evereskano chocou-se contra uma das paredes de madeira, machucando o ombro. A nau agora seguia ainda uma trajetória reta, mas balançava terrivelmente.

       “Uma emboscada! Estamos sendo atacados!”, gritou Mikhail, do alto do convés.

      Os heróis então foram buscar suas armas para auxiliar o amigo. Poucos minutos depois, subiram as escadas e encontraram o elfo clérigo evereskano cercado pelos anões da escuridão. Magnus foi o primeiro a subir as escadas e já sacou sua Hadryllis. Kariel veio logo após, seguido do professor Danicus. O paladino correu e golpeou com força um dos duergares que ameaçava Mikhail a altura do peito. O anão sombrio feriu-se, mas não tombou. Os magos Kariel e Danicus tinham poucas magias em seus repertórios, já que haviam gasto suas forças no intenso combate anterior. E mesmo em meio àquelas que lhes restavam, não podiam optar pelas mais destruidoras, pelo receio de danificar ainda mais a embarcação mística. Lançaram, os dois, então alguns dardos fulgurantes de energia, que partiram de suas mãos e explodiram em dois dos duergares.

      Novos guerreiros ascendiam ao convés. Eram o halfling Bingo, o mateiro das florestas do Mar da Lua, Limiekki, o espadachim Arthos, e a Barda do Vale das Sombras, Storm Mão Argêntea. O pequeno tomou o seu arco e preparou um tiro, mas hesitou. Em um combate tão próximo, podia acerta algum companheiro. Então preferiu aguardar. Já Limiekki empunhava as duas armas que costumava usar: a adaga e a machadinha. Partiu veloz e começou a trocar golpes com um oponente. Arthos chamou a atenção de um inimigo que combatia Mikhail de maneira peculiar. Com a ponta do sabre, perfurou o traseiro de um dos anões, que se virou para revidar. Já Storm lançou mão de uma dádiva oferecida aos Escolhidos da deusa Mystra: um jato de chamas prateadas partiu de suas mãos, ferindo três dos inimigos.

      A batalha prosseguiu, mas os anões das profundezas começaram a perceber que os oponentes que escolheram para saquear e escravizar não eram viajantes comuns. Um deles, que batalhava contra Arthos, usando um sortilégio, desapareceu em meio ao combate. Outro, usando uma habilidade extraordinária, começou a tremer e aumentar em tamanho e força. Magnus foi o primeiro a decretar a morte de um dos oponentes: Hadryllis penetrou profundamente, de cima para baixo, no peito do anão sombrio, que morreu praguejando em uma língua incompreensível. Mikhail, que não mais se encontrava encurralado, brandiu seu martelo dourado em dois pesados golpes contra o adversário que, já ferido pela magia de Storm, tombou. O professor Danicus, lançou sobre si um sortilégio que o permitia enxergar o invisível e advertiu Arthos.

       “O anão ainda está em sua frente! Ataque-o, Arthos!”.

      Enquanto isto, Limiekki lutava com o oponente maior, o duergar que possuía agora cerca de dois metros de altura. O mateiro sentiu os golpes da espada que o atingiram na armadura de couro batido que usava, mas devolveu com ferocidade a investida e a lâmina partiu o rosto do anão maligno, que morreu. Arthos obedeceu o professor e, mesmo sem enxergar, experimentou cortar o ar velozmente, do espaço a sua frente. Acertou o que não viu. O inimigo reapareceu, somente para cair aos seus pés. Apenas um vivia e este logo baixou a arma:

       “Não matem eu! Não matem eu! Fui obrigado a atacar vocês!”, disse o duergar, emitindo em uma voz desagradável, um idioma comum bastante ruim.
       “Obrigado por quem!?”, quis saber Limiekki.
      O duergar apontou um dos colegas mortos.
       “Lançar a culpa sobre um morto é bem conveniente!”, ironizou o mateiro, apontando a machadinha para a criatura de pele cinzenta e barbas brancas.
       “Quem são vocês?”, perguntou Arthos
       “Anões cinzentos, ou duergares, nós é!”, respondeu.
       “Anões?! Nunca vi anões tão esquisitos!”, comentou Arthos.
       “E eu nunca vi humano tão feio!”, rebateu o prisioneiro! “Solta eu!”.
       “De onde vocês vem? Porque nos atacaram?”, perguntou Storm.
       “De Mina Velha! Vocês parecia bons escravos pra vender! Mas não... são fortes demais!”
       “Você sabe o que fazemos com escravistas?”, perguntou Magnus.
       “Err... vocês libertam eles?”, falou desajeitado o anão, já advinhando a resposta.
       “Nós os mandamos para o Abismo!”, respondeu o paladino de Helm.
       “Não matem eu!”, implorou o anão, com voz chorosa. “Se não me matarem, posso contar coisas!”.
       “Coisas? Que coisas? Fale!”, exigiu Limiekki.
       “Queremos saber sobre outros povos vivem aqui e qual é a distância até o próximo assentamento drow.”, completou Kariel.
       “Prometem que não vão matar eu?”, pediu o anão.
       “Está bem! Prometo, se a informação for útil!”, garantiu Mikhail.
       “Nessas cavernas vivem nós, drows, ilithides e outros. Tem uma cidade drow para trás. Chamam ela de Undrek’Thoz. Pra frente tem cidade drow, mas é longe!”
       “Está certo! Vamos amarrá-lo!”, disse Storm. “Depois decidiremos o que fazer com ele!”

      Enquanto o anão era levado por Magnus para um quarto, nas dependências internas da nau voadora, subia ao convés o elfo de cabelos dourados, Arnilan. O piloto, que usava o capacete de comando da nave e levava a mão ao ombro machucado, disse a todos.

       “Não poderemos prosseguir. Os controles da nau estão seriamente danificados. Teremos que pousar ou nos arriscaremos a cair! Vou manobrar para um platô próximo.”
       “Por Mystra!, exclamou Storm. “Faça isto e vamos avaliar os estragos!”.

      Os heróis e piloto retornaram à cabine semi-destruída. Arnilan controlou o barco voador, que balançava perigosamente, fazendo-o pousar. Storm, com o semblante bastante tenso, pediu aos companheiros da Comitiva.

       “Por favor, verifiquem as cercanias deste platô para não sermos surpreendidos. Eu e Arnilan tentaremos avaliar a extensão dos estragos!”
       “Enquanto ao duergar, Storm? Acho que deveríamos nos livrar dele. Será uma fonte constante de perigo e pode tentar sabotar ainda mais a nau.”, disse Limiekki, externando sua preocupação.
       “Dei minha palavra que não o mataríamos!”, lembrou Mikhail. “Não seria honrado quebrá-la!”.
       “Mas se soltarmos esse anão por aí ele pode chamar os colegas dele e fazer um grande estrago!”, falou Arthos, eloqüente.
       “Tenho uma idéia!”, interveio Danicus. “Posso teleportá-lo para longe daqui, para próximo do lugar onde os anões nos abordaram.”.
       “É uma saída, professor, mas não há o risco dele ser teleportado para o meio de um abismo ou para o alto de um túnel?”, colocou Kariel.
       “Sim, amigo elfo, mas é um risco aceitável para resolver esta situação!”, finalizou o Harpista.
       “Concordo com Danicus! O professor pode tentar isto. Mikhail deve ficar e descansar. Precisaremos de seus encantos de cura para restabelecer os feridos. Iskapoft e Klerf também devem permanecer aqui, para oferecer mais alguma proteção, caso a nau seja novamente ameaçada. Os demais formem um grupo e explorem o entorno da nau e estabeleçam um perímetro de segurança!”.

      Os aventureiros assentiram positivamente a determinação de sua líder e assim foram executar as tarefas.

Uma inesperada cidade

      Limiekki, Arthos, Bingo, Kariel e Magnus afastaram-se lentamente da nau. O caminho era tenuemente iluminado pela emanação azulada emitida pela espada de Kariel. Deslocavam-se devagar, fazendo o máximo de silêncio possível.
      Tudo parecia tranqüilo, até que avistaram algo. Um corpo deitado ao chão. Parecia estar amarrado e sacudia-se na esperança de se libertar.

       “Quem está ai?”, perguntou Magnus.
       “Err... falam língua comum? Meu nome é Valin, Valin Navalon!”, disse o interlocutor, em um sotaque bastante carregado.

      A Comitiva aproximou-se e lançou mais um pouco de luz sobre o homem amarrado. Parecia um humano, de cabelos negros e olhos levemente orientais, mas a sua pela era branca e rajada, como a textura de uma placa de mármore. Exóticos eram seus trajes, em cor terra, cheios de adereços.

       “De onde veio, Valin?”, perguntou Limiekki.
       “De Imaskar das Profundezas! Espero que não sejam aliados dos duergares! Espere...”, disse o homem fixando melhor os olhos em seus interlocutores, “Superficiais! Não posso acreditar! Fantástico!”, disse, espantado.
       “Viemos da Superfície, mas e você? A que raça pertence?”, quis saber Kariel.
       “Sou um imaskari, elfo!”.
       “E o que faz aqui, todo amarrado?”, perguntou Bingo.
       “Deixei a cidade para colher cogumelos selvagens. Eu os adoro... mas acabei encontrando duergares. Lutei contra eles, mas acabei perdendo. Me deixaram por aqui, talvez viessem me levar depois.”
      Arthos então aproximou-se e cortou as marras que prendiam o imaskari. Ele então levantou-se, revelando uma estatura elevada como a de Magnus, mas era mais franzino do que a média entre os homens. Parecia ter quase trinta anos de idade.
       “Obrigado!”, disse Valin, massageando os punhos, apertados pela corda. “Incrível! Humanos, um elfo e um... o que é você, pequeno?
       “Um halfling!”, respondeu Bingo.
       “Interessante... mas o que fazem aqui? Estão perdidos?”, continuou Valin.
       “Não. Estamos em uma viagem!”, respondeu Arthos, sem mais detalhes.
       “Lugar estranho para se viajar, quando se vive na Superfície! Foi um enorme prazer encontrá-los! Há quinhentos anos nenhum da minha raça vê outro ser diferente de nós! Espero que tenham sucesso em sua jornada! Estou retornando para minha cidade agora”, inclinou-se o imaskari, para pegar uma cesta de palha escura, cheia de cogumelos.
       “Espere... Não vá ainda!”, pediu Arthos. “Precisamos de ajuda!”.
       “Ajuda?! De que tipo?”, perguntou o imaskari.
       “Nossa nau voadora está danificada!”, respondeu o espadachim. “Na sua cidade não existe alguém que possa nos ajudar?”.
       “Nau voadora! Vocês são de Netheril?”, Valin perguntou espantado.
       “Arthos! Você fala demais!”, reclamou Magnus, repreendendo o amigo. “Não somos nethereses, mas temos uma embarcação mágica netherese que precisa de reparos!”.
       “Meu povo tem grande conhecimento arcano e certamente devem existir aqueles que estudam as artes de Netheril, porém não posso levá-los a minha cidade sem saber o que precisam ou sem conhecer as suas intenções”, informou Valin.
       “Então peço que nos acompanhe! Vamos levá-los aos nossos outros companheiros”, disse Kariel. “Não se preocupe. Não iremos fazer-lhe mal!”.
       “Vocês me libertaram. Têm um crédito comigo. Irei com vocês!”. 

      Os seis então percorreram o caminho de retorno a nau. Do lado de fora, encontraram Storm, Mikhail e Danicus, que olhavam para a embarcação, pensativos. Os três voltaram-se para os companheiros recém-chegados, curiosos com o novo personagem que os acompanhava.

       “Storm, Mikhail, Professor Danicus, ...”, iniciou Magnus. “Encontramos este rapaz amarrado a alguns metros daqui. Chama-se Valin Navalon e diz ser da cidade de Imaskar das Profundezas. Segundo ele, o seu povo pode possuir conhecimentos para nos ajudar a reparar a nau!”.

      Storm ergueu a palma da mão e disse.

       “Sinto em você a ação de algumas magias!”.
       “Sim, minha senhora. Possuo alguns itens arcanos. Isto é algo muito comum em nossa cultura!”, respondeu o rapaz de tez de mármore.
       “São arcanos os seus conterrâneos? Eles crêem em Mystra?”, perguntou Mikhail, clérigo que era da Deusa da Magia.
       “Todos nós somos arcanos em algum grau, além de outras habilidades. Eu sou um arcano, mas sou um historiador também. Não somos devotos de nenhum deus e nunca ouvi falar da deusa a qual você se refere. A antiga deusa da magia chamava-se Mistryl, salvo engano!”.

      Iskapoft, neste momento, deixou a cabine e veio ver o movimento do lado de fora.

       “Waaa! O que é isto?”, assustou-se o imaskari.
       “Não se preocupe. É um grimlock. Chama-se Iskapoft e é um de nossos companheiros de viagem!”.
       “Valin... pode nos ajudar a seguir viagem? Viemos em uma missão importante e precisamos continuar”, perguntou Storm.
       “Não conheço ninguém que estude as naus nethereses, mas posso tentar localizar alguém que possua estes conhecimentos. Vocês me parecem sinceros. Posso levá-los a minha cidade, desde que mantenham suas armas lacradas ou dentro de suas mochilas. Não quero assustar meu povo!”, respondeu Valin.
       “Agradeço a ajuda”, disse Storm ao imaskari. “Precisarei manter um grupo aqui comigo, para o caso de alguma ameaça atingir a nave, quando vocês estiverem fora. Klerf, Iskapoft e Danicus poderiam ficar e os outros irão com Valin”.
       “Mas Storm... é uma cidade de magos! Gostaria muito de ir! Por favor, permita-me...”, pedia Danicus, quando Storm o interrompeu.
       “Danicus... sei da sua curiosidade, mas deve pensar além de seus desejos pessoais. Preciso que fique conosco!”, disse a Barda.
       “Está bem!”, resignou-se o mago veterano a mulher que era sua líder na organização Harpista, um tanto chateado.
       “Então... podemos ir?”, perguntou Valin.
       “Sim! Vamos logo!”, disse o ansioso Bingo.
       “Boa sorte a todos!”, desejou Storm.

      Os heróis da Comitiva ocultaram suas armas, cobrindo-as com panos ou guardando as menores nas mochilas. Seguiram Valin por alguns metros além da nau. O imaskari aproximou-se de uma rocha e a atravessou, revelando uma ilusão que ocultava uma estreita entrada. Logo após ele, seguiram-se os integrantes da Comitiva. Estes, ao atravessar a passagem viram uma paisagem difícil de conceber nas regiões áridas e escuras das cavernas do Subterrâneo.

      Primeiro foi a luz fulgurante como a do sol que iluminava toda a imensa câmara onde haviam acabado de entrar. A luminosidade partia do teto da caverna, inteiramente forrado com um tecido mágico. Nele havia estampada a imagem de um sol estilizado, que emanava uma forte luz, sob um fundo azul onde imagens de nuvens deslocavam-se lentamente. Após isto, voltaram  seus olhares para frente e viram uma cidade de prédios em formato de bulbos, alguns deles tão inclinados que desafiavam flagrantemente a lei da gravidade. Toda a cidade era circundada de um cinturão formado de grandes árvores, arbustos e vegetais diversos, tal qual um bosque, cortados por riachos. Atrás da cidade, pintado em uma das paredes, havia um grande círculo colorido, repleto de runas, que servia de moldura para os prédios. O silêncio se fez por alguns minutos, até Valin o interromper.

       “Senhores... Bem vindo a Imaskar das Profundezas!”.
 

(*) – A música de Storm é uma tradução livre da canção Home Again, homenagem ao grupo de folk Blackmore’s Night.

Esta história é uma descrição em teor literário dos resumos de aventuras jogadas pelo grupo Comitiva da Fé em Salvador sob o sistema de RPG Dungeons & Dragons, Edição 3.5.

Os Últimos Dias de Glória © Todos os direitos reservados 2004 - Forgotten Realms™ e seus personagens são marcas registradas da Wizards of The Coast Inc.
This page is a fan site and is not produced or endorsed by Wizards of the Coast. Forgotten Realms is a registered trademark of Wizards of the Coast, Inc.